Juro alto e petróleo atraem para o Brasil investidores mais preocupados com EUA – O Estado de S. Paulo
- Na Mídia
- 22/04/2026
- Tendências
A dívida pública americana terminou 2025 em 125% do PIB, segundo o FMI, e ruma para 143,4%, projetados para 2030
Antes visto como o único porto seguro do mundo para investimentos – especialmente em períodos de crise geopolítica, como agora -, atualmente os Estados Unidos geram desconfiança entre investidores, que têm procurado alocar capital em países emergentes, entre os quais o Brasil.
Em março, o desempenho do índice S&P 500 (índice que reúne as 500 maiores empresas americanas listadas em Bolsas) recuou 4,3%. No primeiro trimestre do ano, a queda é de 4%. Para comparação, o Ibovespa – principal índice da B3, a Bolsa brasileira – caiu 0,52% no mês passado e subiu 17% no acumulado de 2026.
O economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, também menciona, entre os fatores que levam o investidor internacional a diversificar seus recursos, o “risco institucional” dos Estados Unidos e a situação fiscal do país. A dívida pública americana terminou 2025 em 125% do PIB, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), e a estimativa é de que atinja 143,4% em 2030. Para efeito de comparação, a do Brasil, que também está em alta e preocupa os investidores, fechou o ano de 2025 em 78,7% em relação ao PIB, conforme o Banco Central.
“Isso tudo causa ruído no mercado”, afirma Silvio Campos Neto. “E aí, uma pequena parcela de investimento que venha para o Brasil é pouco para o estrangeiro, mas muito para o Brasil.”
Especialistas afirmam também que, do lado brasileiro, fatores como a taxa de juro em patamar ainda elevado e a produção importante de commodities – ativos que são demandados em períodos de instabilidade – têm ajudado na atração do capital internacional.
Petróleo
Outro fator que favorece a entrada de recursos internacionais na Bolsa brasileira é a alta do preço do petróleo registrada no período de guerra, dado que o País é um produtor importante do combustível. Com o barril de petróleo saindo da casa dos US$ 70 o barril e superando o nível dos US$ 100. a Petrobras viu seu valor de mercado passar de R$ 410 bilhões no ano passado para R$ 666 bilhões no fim de março, um aumento de 62%. A empresa corresponde hoje a 11,4% da B3 – em 2025, era 8,7% -, de acordo com dados da Elos Ayta.
Para os analistas, a tendência de diversificação dos destinos dos recursos dos investidores globais continuará, beneficiando a Bolsa brasileira. “Ainda que tenha havido uma desaceleração em março, essa trajetória de alta (no fluxo de investimentos internacionais) permanecerá. Isso é algo estrutural, não pontual”, ressalta Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP.
O economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, afirma que o movimento “tem gás” para continuar nos próximos meses. Ele pondera que a eleição presidencial ainda é uma dúvida que poderá (ou não) alterar essa tendência de canalização de investimentos para o Brasil.
Resiliência
Para o economista-chefe do Bradesco. Fernando Honorato, o fluxo de capital estrangeiro pode ganhar ainda mais força com o fim do conflito no Oriente Médio.
“Quando acabar a guerra, dada essa enorme resiliência da nossa moeda, acho que há uma chance de ter um rali de curto prazo. Esse curto prazo pode ser três, quatro ou cinco me- ses”, afirma. O economista, no entanto, não considera que será estrutural.