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Eleições e decisões do Fed podem definir próximos movimentos do dólar – Times Brasil

Em entrevista ao Times Brasil, Silvio Campos Neto, sócio e economista sênior da Tendências Consultoria, analisa como o cenário eleitoral brasileiro e as próximas decisões do Federal Reserve (Fed) podem influenciar os movimentos do dólar nos próximos meses

Ao ser questionado sobre as falas de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, sobre crédito, Campos Neto diz que ele tem razão ao apontar os sinais de alerta no mercado de crédito.

Apesar da fala de Galípolo ter focado mais em pessoas físicas, Campos Neto explica que temos visto alguns problemas ligados a pessoas jurídicas, inclusive de grande porte, porque o momento é muito delicado.

O endividamento das famílias cresceu nos últimos anos e, no caso das pessoas físicas, claro que há o componente importante e positivo da inclusão bancária, mas, ao mesmo tempo, isso aconteceu de uma forma muito rápida, numa escala muito intensa e sem a devida educação financeira.

Então, as pessoas acabaram sendo induzidas, de alguma forma, a aumentar muito rapidamente o seu endividamento. Campos Neto explica que, no contexto atual de juros muito altos, isso acaba virando uma bola de neve. E os resultados estão aí: o aumento de inadimplência e de comprometimento de renda das famílias, o que inclusive começa a bater de forma mais clara no próprio consumo e nas perspectivas econômicas.

Campos Neto diz que a “cura” para isso infelizmente é mais do mesmo: o ajuste que é preciso fazer, principalmente nas contas públicas, para que as taxas de juros de mercado comecem a cair mais rapidamente. Com isso, pode haver algum alívio, tanto para as pessoas físicas quanto para as empresas.

Comportamento do dólar

Campos Neto diz que a taxa de câmbio é sempre influenciada por várias situações, tanto externas quanto internas. Ele ainda explica que passamos agora, nos últimos dois meses, por algum período de pressão, que veio muito de fora.

Tivemos a maior aversão a risco no mundo, o conflito mal resolvido e a perspectiva ou o temor de que o Fed, nos Estados Unidos, suba juros nos próximos meses. Campos Neto não acredita que isso vá acontecer agora, na próxima reunião, em setembro, mas é um risco que existe, até mais pro final do ano.

O dólar ganhou um certo respiro lá fora e é uma moeda que vinha muito fragilizada nos últimos meses, mas teve essa fonte de recuperação. E aqui no Brasil, claro que a volatilidade também começa a crescer com a questão eleitoral entrando em cena, explica Campos Neto.

Inclusive, nos últimos dias, a perspectiva de uma disputa bem acirrada, que é o que deve efetivamente acontecer, até permitiu com que o dólar caísse um pouco, rodando agora em R$ 5,15, sendo que até poucos dias estava um pouco acima de R$ 5,20.

Campos Neto diz que, daqui para frente, o que devemos observar é uma mistura de componentes externos, com esse risco ligado à possibilidade de aumento de juros dos Estados Unidos. Os dados de lá vão ser muito importantes. Também existe um indicador de inflação que terá grande peso nos mercados, isso lá nos Estados Unidos também. Existe também a própria questão do conflito, gerando esses movimentos de aversão a risco e efeito no petróleo.

E aqui no Brasil, o fator eleitoral ganha cada vez mais espaço na avaliação dos analistas, por conta efetivamente dessa perspectiva de ajuste ou não ajuste, que é o que todo mundo quer observar a partir do final deste ano.

Bancarização e financiamento via cartões de crédito

Campos Neto diz que é um grande desafio compatibilizar essas duas coisas, porque, de fato, é importante, é positivo que as pessoas tenham mais acesso a esses mecanismos financeiros.

Também é positiva a expansão das instituições, via movimento de fintechs, que todo mundo cobrava, com mais concorrência no mercado bancário.

Apesar de todo esse lado favorável, ao mesmo tempo existe um outro lado, que é permitir o acesso das pessoas a alguns mecanismos e muitos efetivamente entraram sem muito controle nisso, como é o caso do financiamento via cartões de crédito. E agora isso se torna um problema grande, com o excesso de endividamento e dívidas caríssimas envolvendo o financiamento via cartão de crédito.

É claro que o governo mesmo tem tomado algumas iniciativas, como a questão do próprio Desenrola, que eventualmente ajuda num primeiro momento, mas Campos Neto diz que é uma situação onde as próprias pessoas terão que aprender “na dor” a lidar melhor com esse instrumento, porque o excesso de endividamento e a inadimplência no cartão de crédito causa um problema enorme, inclusive por conta dessas taxas de juros bastante elevadas, que é uma questão estrutural e que não vamos conseguir tão cedo mudar substancialmente esse quadro.

Confira a entrevista completa no vídeo abaixo!