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Eleitor que votou em branco ou nulo em 2022 pode decidir a eleição de 2026 – Exame

Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria, afirma que eleitor que não se identifica nem com Lula nem com Bolsonaro pode ser decisivo em uma disputa acirrada

O eleitor que votou em branco ou nulo, ou não compareceu às urnas em 2022, pode ser o grupo decisivo para definir a eleição presidencial de 2026, segundo Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria.

Para Cortez, esse eleitorado pode definir se a insatisfação com o governo Lula será convertida em voto na oposição ou permanecerá fora da disputa, em uma eleição marcada pela polarização entre o atual presidente e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Dado que temos essas duas rejeições muito calcificadas e uma avaliação do governo dividida, mas com a desaprovação um pouco maior, o movimento vai ser entender quem vai para as urnas e se essa insatisfação com o governo vai se transformar em voto no Flávio ou, eventualmente, em voto inválido. Acho que essa é a grande questão”, disse em entrevista ao programa Eleições em Pauta, da EXAME.

No primeiro turno de 2022, brancos e nulos somaram 5,3 milhões de eleitores. Outros 32,7 milhões não foram votar.

Segundo Cortez, a eleição deve ser definida pela capacidade dos candidatos de transformar a insatisfação com o governo ou a rejeição à oposição em voto válido.

“Essa é uma eleição que a oposição tem que ganhar. Tem toda a cara de uma eleição que a oposição deveria ganhar, justamente pela desaprovação maior. Por que não está explícito que ela vai ganhar? Porque as pesquisas mostram um cenário de empate técnico”, afirmou.

Para o cientista político, a dificuldade para Flávio Bolsonaro está no fato de que o senador também carrega uma rejeição elevada. Segundo Cortez, ele tem o “ônus e o bônus do sobrenome”: herda parte do eleitorado do pai, mas também recebe a resistência associada ao bolsonarismo.

O peso do eleitor fora da polarização

Cortez afirma que, desde 2018, a disputa presidencial brasileira é marcada pelo confronto entre lulismo, movimento político associado ao presidente Lula, e bolsonarismo, campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na avaliação dele, os eleitores mais identificados com esses grupos tendem a manter suas escolhas. A principal dúvida está entre aqueles que não se sentem representados por nenhum dos dois lados.

“Quando eu pego, por exemplo, quem foi Lula em 2022, no segundo turno, e faço uma pesquisa nesse subgrupo, o Lula tem nove entre dez votos desse grupo lulista em 22. A mesma coisa o Flávio Bolsonaro com o voto do pai na eleição passada”, disse.

“Então, se os dois que vão mais competitivos têm basicamente o mesmo conflito, você só troca o Jair por Flávio. Todo mundo gostou do que fez lá atrás, porque o lulista continua lulista, o bolsonarista continua bolsonarista. O que é que pode mudar tanto?”, afirmou.

Para Cortez, a mudança depende justamente de quem não escolheu nenhum dos dois candidatos em 2022.

“Quem foi branco e nulo ou não foi votar em 22, ele realmente já não gosta desses nomes. A ponto dele falar: bom, eu não vou. Ou eu vou, mas não quero participar. Não vou escolher isso em nenhum desses dois nomes”, afirmou.

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