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Desemprego vai a 5,8% em fevereiro, diz IBGE – O Estado de S. Paulo

Taxa é a menor para o período; resultado foi influenciado por perda de vagas em saúde, educação e construção, comum no início do ano

RIO E SÃO PAULO | A taxa de desemprego no País voltou a subir, passando de 5,4% no trimestre terminado em janeiro para 5,8% no trimestre terminado em fevereiro, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira, 27, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado foi o mais elevado desde o trimestre terminado em junho do ano passado, porém, ainda está no patamar mais baixo para trimestres encerrados em fevereiro em toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Em igual período do ano anterior, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 6,8%.

“A PNAD Contínua Mensal continuou a indicar solidez do mercado de trabalho”, avaliou Matheus Ferreira, analista da consultoria Tendências. “Para este ano, projeta-se manutenção da taxa de desocupação em patamares reduzidos, limitada pela perspectiva de uma expansão ainda comedida da força de trabalho. Para o número de ocupados, a expectativa é de que haja avanço mais contido, uma vez que a atividade nos setores intensivos em mão de obra, como serviços, deverá arrefecer adicionalmente em 2026.”

Se neutralizados os efeitos sazonais, a taxa de desemprego permaneceu em 5,3% no trimestre encerrado em fevereiro ante o trimestre encerrado em janeiro, mantendo-se assim na mínima histórica, calculou o Itaú Unibanco. O banco estima que o desemprego suba marginalmente em 2026, atingindo 5,7% no fim do ano, dada a desaceleração esperada da atividade econômica.

Para o Bradesco, o mercado de trabalho apresenta sinais discretos de enfraquecimento, mas ainda constitui um vetor positivo para o consumo das famílias, com salários ainda em crescimento robusto.

“A gente vira o ano com esse trimestre encerrado em fevereiro com expansão no indicador de taxa de desocupação. Olhando em retrospecto na série, para trimestres que encerram em fevereiro, é um movimento já registrado em outros anos, com tendência realmente de ser um trimestre de transição. A gente sai de um patamar mais baixo de desocupação no último trimestre do ano anterior, e, na virada do ano, esse indicador aumenta”, justificou Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE.

A despeito da sazonalidade, o mercado de trabalho ainda sustenta os ganhos no emprego ocorridos ao longo de 2025, declarou a pesquisadora.

Quantas pessoas saíram da força de trabalho

Em um trimestre, foram fechadas 874 mil vagas, enquanto 599 mil pessoas passaram a buscar trabalho. A taxa de desemprego só não subiu mais porque houve ajuda do aumento na inatividade, com 608 mil pessoas a mais fora da força de trabalho. Em relação ao ano anterior, ainda houve abertura de 1,462 milhão de vagas, e queda de 1,085 milhão de pessoas no desemprego, além de 942 mil inativos a mais.

“Embora retraindo no trimestre, o contingente de trabalhadores ocupados é quase 1,5 milhão a mais do que era há um ano”, ressaltou Beringuy.

Os dados mostram que o ano de 2026 começa melhor para o mercado de trabalho do que em 2025, especialmente em termos de população ocupada e nível da ocupação, disse ela.

“A gente tem a expressão de um comportamento sazonal, que, contudo, preserva ganhos quantitativos do mercado de trabalho. Ou seja, a despeito do efeito sazonal em alguns grupamentos, os patamares alcançados agora são melhores do que os de 2025”, explicou.

Cinco das dez atividades econômicas registraram demissões no trimestre encerrado em fevereiro ante o trimestre terminado em novembro de 2025: indústria (-211 mil), agricultura (-164 mil), construção (-245 mil), administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (-696 mil) e serviços domésticos (-70 mil).

Houve geração de postos de trabalho em informação, comunicação e atividades financeiras, profissionais e administrativas (241 mil), alojamento e alimentação (88 mil), outros serviços (87 mil), comércio (6 mil) e transporte (45 mil).

“Atividades com redução no contingente de trabalhadores são atividades que reconhecidamente tem um aspecto sazonal de redução no período, a construção e, principalmente, o segmento de educação e saúde no setor público. De fato, uma atividade que potencialmente poderia ter processo de dispensa com perda de ocupação, que seria o comércio, isso não ocorreu, e a de outros serviços também teve retenção de trabalhadores”, disse Beringuy.

O mercado de trabalho estaria se autossustentando, como num ciclo virtuoso, pela própria renda do trabalhador, mantendo-se resiliente a despeito dos juros altos, que inibem o consumo das famílias via crédito.

“O consumo está sendo sustentado pelo rendimento no mercado de trabalho. Esse mercado de trabalho tem mais gente nele e com rendimento melhor. Então esse mercado de trabalho se ajuda, a despeito de esses juros estarem comprometendo uma outra fonte de consumo, que é esse mercado de crédito”, apontou Beringuy.

A massa de salários em circulação na economia registrou patamar recorde no trimestre encerrado em fevereiro, na série histórica comparável, que elimina trimestres móveis com repetição de respostas na amostra, totalizando R$ 371,092 bilhões.

O rendimento médio real dos trabalhadores subiu ao ápice da série, para R$ 3.679 no período, impulsionado por uma grande demanda de atividades econômicas por trabalhadores, aliada a uma tendência de maior formalização no comércio e nos serviços, afirmou Adriana Beringuy, do IBGE.

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