Como os conflitos no Irã impactam o preço do petróleo e na economia – Band
- Na Mídia
- 18/03/2026
- Tendências
Em entrevista ao programa No Economia Pra Você, da Band, Alessandra Ribeiro, diretora e economista da Tendências Consultoria, analisa como os conflitos no Irã impactam o preço do petróleo e os reflexos diretos na economia global e brasileira
A pergunta de 1 milhão de dólares ou mais é: Quanto tempo vai durar a guerra no Irã? A resposta para ela é fundamental para saber o tamanho dos impactos na economia.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, disse que a guerra estaria próxima do fim, mas logo depois o Irã bombardeou navios no Estreito de Ormuz, a via fundamental para o escoamento de 20% do comércio global de petróleo
A imprevisibilidade tem feito o petróleo disparar acima dos US$ 100 o barril, pressionando a inflação global e aqui também no Brasil, porque já tem aumentos nos postos de combustíveis, mesmo com a Petrobras segurando preços. O governo brasileiro anunciou medidas para amenizar os impactos.
Riscos inflacionários
Ao ser questionada sobre como está olhando os riscos inflacionários nesse momento, Alessandra diz que esse é um dos canais mais diretos para afetar a economia brasileira e a economia global.
Ainda não se tem ideia de quanto tempo o conflito no Irã pode durar. Os sinais são de que ainda pode durar um bom tempo, a despeito da fala do presidente Trump, que, até mesmo na prática, não se mostrou real. E o Irã realmente está dificultando essa possibilidade de encerrar a guerra também.
Além disso, tem o próprio papel de Israel e seus objetivos, que não são claros, com essa guerra. Existem muitas pontas soltas que ainda não foram resolvidas para um término no curto prazo desses conflitos no Irã, explica Alessandra.
E quanto mais a guerra dura, maiores são os impactos para a inflação no mundo e aqui no Brasil. Olhando para a nossa realidade, o governo anunciou algumas medidas para tentar amenizar os impactos pro consumidor final, mas sabemos que a defasagem tanto do diesel quanto da gasolina, considerando a paridade internacional, já está muito alta.
Alessandra acredita na possibilidade da Petrobras fazer um reajuste nos preços dos combustíveis. E aí, com essas medidas – especialmente para o diesel – o governo tentaria minimizar o efeito.
Mas, na avaliação da Tendências, o sinal de preço altista tem que estar lá no fundo, porque, diante desse contexto de maior restrição, os preços, mesmo que tenham medidas para amenizar, vão subir. É uma reação provavelmente da demanda, no sentido de freá-la um pouco, porque é um contexto em que é preciso equilibrar um pouco mais as condições de oferta e demanda, sendo que temos uma clara restrição de oferta.
Impactos fiscais
Esse pacote do governo é um pacote emergencial que tenta, do ponto de vista fiscal, pelo menos compensar: se perde de um lado, abrindo mão de impostos e subvenções, do outro aumenta o imposto de exportação de petróleo, o que cria uma insegurança do ponto de vista de regras.
Alessandra pontua que o mundo todo está reagindo com medidas emergenciais, porque é um conflito realmente importante. Não há sinal de final, e podemos ter, inclusive, uma escalada muito maior em relação ao que estamos vendo.
A Petrobras deve fazer esse reajuste de preços, que deve atingir também os preços do consumidor final. E Alessandra acredita que tem que chegar assim mesmo, uma vez que o petróleo é uma commodity que está com problemas de oferta, então o precisa subir, porque a demanda precisa ser contida nessas condições.
Olhando a inflação ao consumidor, especificamente o diesel, quando olhamos no IPCA, ele tem um peso muito pequenininho. A gasolina é a que tem um peso maior. Os efeitos do aumento do diesel vêm de maneira indireta, impactando todas as cadeias de produção, chegando em preços de alimentos, por exemplo, ainda que o efeito direto no IPCA seja muito pequeno.
Queda na taxa Selic
Alessandra explica que o timing dos conflitos no Irã pro Copom é muito desafiador, mas, na avaliação da Tendências, há espaço para queda de juros, só que deve começar de maneira mais cautelosa.
A Tendências tinha antes a expectativa de um corte de 50 pontos para a reunião do Copom de março e revisaram para uma queda de 25 pontos para começar. Alessandra acredita que, como o cenário ainda está muito imprevisível, o Copom, que já vem com um discurso super cauteloso e pertinente diante da situação, tem que começar o corte devagar, porque ele não sabe – na realidade ninguém sabe – o tamanho do choque e os efeitos desses conflitos.
O Banco Central não deve combater a alta do petróleo e do combustível, mas ele tem que combater, com a política monetária, os efeitos secundários, ou seja, como isso se dissemina para a economia. Por isso Alessandra acredita que eles devem ser um pouco mais cautelosos nesse início, mas, ainda sim, começar o processo de redução de juros, porque a desaceleração da economia já está acontecendo.
Outros impactos econômicos
O cenário é bastante desafiador. Não só para o Brasil, mas para o mundo todo. Entretanto, uma particularidade do Brasil é relacionada à parte de fertilizantes. Alessandra explica que essa região é muito importante na produção deles. Cerca de 35% do que a gente consome vem de lá. Além disso, muitos desses fertilizantes derivam do próprio gás natural.
Então, além do impacto direto em combustíveis, Alessandra diz que podemos ter um impacto importante em fertilizantes, tanto no preço quanto na disponibilidade de material, o que afeta inclusive a nossa potencial produção.
É um impacto que precisa ser levado em consideração, pensando no agro, que tem uma importância muito relevante, não só do ponto de vista da oferta doméstica, mas também do ponto de vista da balança comercial.
Confira a entrevista completa no vídeo abaixo!