Saiba tudo o que rolou na nossa live sobre os impactos econômicos da calamidade no Rio Grande do Sul

Saiba tudo o que rolou na nossa live sobre os impactos econômicos da calamidade no Rio Grande do Sul

A expectativa para a economia do Rio Grande do Sul neste ano foi completamente alterada pela calamidade causada pelas chuvas. A estimativa até abril era de crescimento do PIB do estado de 2,9% em 2024.

Do ponto de vista da atividade, há o efeito negativo direto na produção de setores como o agropecuário e a indústria, muito importantes para o estado e para a oferta nacional desses bens. Adicionalmente, tem-se os efeitos para a prestação de serviços e infraestrutura. Ainda que parte possa ser normalizada com a melhora das condições climáticas, uma parcela relevante exigirá reconstrução. 

A recuperação das áreas atingidas irá demandar investimentos vultuosos e que podem, ao menos parcialmente, atenuar os impactos econômicos no curto prazo. Ao mesmo tempo, implicações para as contas públicas do governo federal serão inevitáveis. 

Para apresentar uma avaliação dos impactos da situação do Rio Grande do Sul e suas consequências para a economia brasileira, a Tendências Consultoria realizou uma live no dia 06 de junho, com participação de Alessandra Ribeiro, sócia e diretora da área de Macroeconomia e Análise Setorial da Tendências, Camila Saito, sócia e responsável pelas análises regionais e estaduais da Tendências, Gabriela Faria, consultora responsável pelo acompanhamento do setor agropecuário na Tendências, e Matheus Ferreira, consultor responsável pelo acompanhamento do setor de construção civil na Tendências.

Estimativa para os impactos no PIB do Rio Grande do Sul

A projeção para o PIB do Rio Grande do Sul passou por revisões após a calamidade causada pelas chuvas.

Antes das enchentes, o cenário era de um PIB total com alta de 2,9%, puxado por agropecuária (+27,7%), indústria (+2,0) e serviços (+1,2%). Atualmente, as expectativas são de um PIB total com queda de 2,8%, com a agropecuária ainda em alta (+18,7%), enquanto indústria e serviços apresentam quedas (-4,2% e -6,2%, respectivamente).

É importante ressaltar que foram 418 municípios afetados, sendo 78 em estado de calamidade pública e 340 em situação de emergência.

Desempenho da agropecuária no Rio Grande do Sul

A catástrofe climática teve efeitos variados no estado devido às diferenças no solo, relevo e ocupação territorial. Os primeiros levantamentos de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul indicam que os principais prejuízos ocorreram em função de perda parcial agrícola, citada por 25,75% dos produtores rurais, seguidos de danos à infraestrutura, como galpões e estradas (11,71%) e perda de animais (3,68%).

Impactos na agricultura

Grãos: Além da dificuldade de colheita, houve redução significativa na qualidade dos grãos já colhidos devido à umidade excessiva. Também houve aumento na incidência de doenças.

Horticultura: A produção de frutas, verduras e legumes está sendo afetada pelo longo período chuvoso. Até em ambientes protegidos, o desenvolvimento é comprometido pela elevada umidade e baixa luminosidade. Destaca-se também o aparecimento de doenças fúngicas.

Solo: Deslizamentos, inundações e erosão prejudicaram a qualidade do solo.

É importante ressaltar que o fenômeno climático La Niña deve afetar a produção de grãos em 2025.

Impactos na pecuária

Bovinocultura de corte: Pastagens de baixa qualidade e chuvas intensas resultaram em perda de peso dos animais e necessidade de suplementação alimentar.

Leite: A produção de leite caiu devido à escassez de pastagens e problemas de acesso às áreas de ordenha e alimentação.

Ovinocultura: Chuvas e temperaturas baixas causam problemas de saúde e reprodutivos nos ovinos.

Piscicultura: A produção de alimentos para peixes e a qualidade da água foram prejudicadas. A pesca artesanal também foi severamente afetada, com enchentes impactando as atividades em várias regiões costeiras.

Impactos em infraestrutura e logística

Danos a estradas, ferrovias e portos afetam negativamente o transporte de grãos e a logística de produtos agrícolas.

O Rio Grande do Sul possui o maior número de estabelecimentos de armazenagem (3.235) do país e é o segundo estado com maior capacidade, de cerca de 32,6 milhões de toneladas (atrás apenas do Mato Grosso).

Impactos das chuvas do Rio Grande do Sul na inflação

Os índices de inflação referentes a maio ainda não captaram plenamente os efeitos da tragédia no estado. 

Na divulgação do IPCA-15 de maio, o IBGE revelou que aproximadamente 30% da coleta de preços foi realizada de forma remota e que, ainda assim, nem todos os subitens puderam ser coletados. O IPC-S de maio, referente ao período um pouco mais recente, indica maior pressão sobre os preços no Rio Grande do Sul, dentre os quais a alimentação (em especial, batata-inglesa).

Anteriormente, a Tendências Consultoria contemplava deflação para o preço dos alimentos já a partir de maio, refletindo a sazonalidade típica e quedas nos preços do atacado no início do ano. Com as chuvas no Rio Grande do Sul, no entanto, passamos a esperar um avanço dos preços de alimentos em maio e junho (principalmente de itens in natura, como batata-inglesa e cebola).

Uma parte importante desses aumentos deve ser totalmente revertida no 3° trimestre de 2024. Aumentos mais persistentes devem estar associados apenas a itens com perda de oferta mais relevante, como arroz e, em menor medida, trigo e soja. No IPCA, o efeito deve ser captado pelos preços do arroz, de panificados e de carnes.

A projeção da Tendências para alimentação no domicílio passou de 3,5% para 3,9% em 2024. Para o IPCA, a expectativa se manteve em alta de 3,8%.

Confira a live completa no vídeo abaixo!

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