Polarização, pesquisas e STF: o cenário político que define 2026 – RedeTV!
- Na Mídia
- 07/05/2026
- Tendências
Na estreia do RedeTV Notícias – Primeira Edição, o cientista político Rafael Cortez analisa os principais temas do cenário político brasileiro.
O programa aborda a polarização nas pesquisas presidenciais para 2026, o peso das alianças regionais, as disputas para os governos estaduais e os desafios dos partidos em dialogar com o novo mundo do trabalho.
Também estão em pauta a sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, o programa Desenrola 2.0 para renegociação de dívidas e a decisão do COPOM sobre a taxa Selic.
Eleições 2026
De acordo com Cortez, as pesquisas basicamente mostram o mesmo resultado: muita polarização para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Basicamente há um empate.
Ele diz que as alianças serão fundamentais. Por enquanto, não temos as chapas das candidaturas definidas e não sabemos quem serão os vices desses nomes, sobretudo de Flávio Bolsonaro.
Sobre o cenário das eleições para governador, Cortez acredita que provavelmente Haddad versus Tarcísio seja fundamental para definir não só quem será eleito em São Paulo, mas o até mesmo o resultado da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula. O mesmo raciocínio também vale para grandes colégios eleitorais, como Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A tendência das eleições para governador é de uma taxa de reeleição muito alta, de acordo com Cortez. O que é importante observar é como esses governadores irão ajudar nas campanhas presidenciais. É uma eleição que não tem um perfil homogêneo.
Sobre o potencial enfraquecimento do PT no Nordeste e a oportunidade para Flávio Bolsonaro se fortalecer na região, Cortez acredita que seria a estratégia a ser adotada pela campanha.
Um dos principais desafios do PT, de acordo com Cortez, é como o partido irá lidar com o mundo do trabalho. O partido surge quase como a dimensão política do crescimento da indústria, sobretudo em São Paulo. Hoje, esse mundo não existe mais. Ele é o mundo do trabalho informal, do trabalho remoto e o PT precisa articular um discurso.
Supremo Tribunal Federal
Para Cortez, um dos grandes momentos de 2026 é a sabatina do candidato indicado pelo presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal, Jorge Messias. Ela aconteceu em um momento ainda de muita incerteza. De acordo com Cortez, podemos ter, pela primeira vez na história, uma derrota de um nome indicado pelo presidente para uma vaga ao Supremo Tribunal Federal. De acordo com as especulações, é uma disputa apertada. Se isso acontecer, é mais barulho pela frente até as eleições.
Endividamento das famílias
Cortez explica que as pesquisas estão mostrando uma tendência de alta no endividamento das famílias, mas não é uma alta que veio pelo fato de que a renda não está crescendo. Isso é o grande desafio. A renda está crescendo, mas a dívida das famílias também está crescendo, até numa proporção maior. A sensação de bem-estar vai diminuindo, as contas vão atrasando e as pessoas percebem que têm que deixar de comprar alguma coisa para começar a pagar as dívidas. Alguns não conseguem pagar a dívida que já contraíram e aí é que entra o Desenrola 2.0, que deve ser em breve anunciado.
Cortez explica que, em alguma medida, o Desenrola 2.0 voltou a dar as caras por conta dos juros muito altos e do endividamento das famílias. Elas têm recebido mais renda, mas essa renda tende a ir para tentar quitar dívidas de juros de cartão de crédito e cheque especial, por exemplo. A ideia do programa é trocar uma dívida mais cara por uma dívida mais barata.
O problema disso, de acordo com Cortez, é que, em alguma medida, não podemos depender dos programas de governo para conseguir honrar as nossas próprias dívidas. É sempre uma incerteza de quando é que iremos conseguir ter um mercado de crédito que não necessite dessas ações do governo.
Cortez aponta, entretanto, que uma boa parte da explicação de porque os juros terão dificuldade para cair não está no Brasil. Na verdade, está lá fora. Tem a ver com conflito no Oriente Médio, tem a ver com conflito entre Ucrânia e Rússia… Tudo está conectado. Rede social não tem fronteira, política também não tem fronteira, eleição não tem fronteira.
É um fenômeno que tem acontecido muito. As eleições de um país reverberam em outros lugares. Vimos, por exemplo, o ano passado nas eleições para Argentina, com o governo norte-americano fazendo campanha. Vemos também lugares em que o Trump realmente às vezes toma uma decisão e gera um impacto e no Brasil não vai ser diferente. As eleições brasileiras irão repercutir no mundo.
Polarização
Cortez acredita que, do ponto de vista do do PT, a percepção deles precisa mudar, porque esse diagnóstico crítico da administração Tarcísio não chega no eleitor, muito pelo contrário, sobretudo no interior, em que as taxas de sentimento de antipetismo são muito altas.O PT precisa encontrar o que de fato está mobilizando esse eleitor.
E é especialmente difícil porque, de acordo com Cortez, São Paulo é, de alguma maneira, o estado que originou a polarização política que tanto se comenta, seja entre PT e PSDB ou PT e o bolsonarismo, por exemplo.
Se não houver essa mudança na percepção do PT, há uma tendência de continuidade na administração de Tarcísio no governo de São Paulo. Para Cortez, o projeto do Haddad é, na verdade, pensando para a campanha presidencial, para fazer o debate nacionalizado no estado por conta das chances diminutas na competição estadual.
Cortez explica que a força nacional de Lula esconde muito dos problemas do PT como partido, que acaba ficando refém de simplificações que aparecem no plano eleitoral. Isso tem a ver com conteúdo, mas tem a ver também com forma de fazer o diálogo com a população.
Todo mundo está encontrando maneiras de pensar como se comunicar e o PT precisa fazer isso. De acordo com a avaliação de Cortez, os problemas são maiores do que leva a crer o discurso petista em parte, porque o bom desempenho do Lula nas eleições presidenciais esconde esses desafios.
É bem possível que tenhamos um cenário depois das eleições em que o PT até ganhe na disputa presidencial, mas se olharmos os palanques ao longo do Brasil, boa parte não são do PT. São Paulo, nesse sentido, é exceção. Citando exemplos: no Rio de Janeiro, é PSD com Eduardo Paes. Em Minas Gerais, possivelmente será Rodrigo Pacheco, que está filiado ao PSB.
Segurança pública
Para Cortez, o debate sobre segurança pública é algo que, de alguma maneira, afeta a todos. Quando olhamos a Constituição, a segurança pública tem um foco nos governos estaduais, mas ela prevê alguma articulação entre governo federal, dos estados e dos municípios.
Tem também a dimensão da integração entre a inteligência policial, repressão e a dimensão social, seja do ponto de vista da assistência social, seja do ponto de vista de prover políticas públicas para os indivíduos que, em alguma medida, são vítimas desse processo de vulnerabilidade social e acabam “entrando” nessa chamada indústria do crime, tanto pelo consumo de drogas quanto na cadeia de comercialização de produtos ilegais de todos os tipos.
Cortez explica que, em geral, a direita faz ênfase na repressão e a esquerda tenta o diálogo via debate social. É preciso que se integre essas duas políticas para que tenhamos mais efetividade no combate, não só em São Paulo, mas em todos os outros espaços.
Confira a participação de Cortez na íntegra no vídeo abaixo!