Lula precisa usar o poder da caneta para tentar a virada, diz especialista – CNN Brasil
- Na Mídia
- 22/10/2026
- Tendências
Em entrevista ao programa Hora H, da CNN Brasil, Rafael Cortez, economista da Tendências Consultoria, analisou o cenário político e eleitoral e destacou a necessidade de o presidente Lula utilizar os instrumentos à sua disposição para tentar reverter o cenário atual
Será que o eleitor vai acatar uma mudança de ideia do Lula, como sendo uma mudança de convicção do presidente ou apenas uma forma de ganhar voto?
Para Cortez, na média, o eleitor vai acatar. Na verdade, espera-se, inclusive, que políticos adaptem suas agendas às preferências e aos interesses da maioria do eleitorado.
O que é desafiador aqui e que talvez não renda os frutos esperados pelo presidente Lula, de acordo com Cortez, é justamente uma guinada de discurso razoavelmente rápida, e isso pode dar uma percepção de um certo oportunismo eleitoral.
De todo modo, ainda assim, é o que resta ao governo fazer nas vésperas desse segundo turno. As pesquisas estão mostrando alguma proximidade, mas ele precisa usar o “poder da caneta” – o chamado poder de agenda –, para conseguir melhorar a sua avaliação de governo e tentar confirmar se tem alguma chance, de fato, de fazer a virada.
Virada de Lula no 2º turno
Ao ser questionado se existe baliza ou referência histórica que nos indique alguma coisa, Cortez diz que não existe uma barreira teórica ou histórica que valha dizer: “Olha, não adianta mudar na última hora, que o eleitor não vai sentir”. Até porque, ainda que seja um efeito mínimo, como estamos falando de uma disputa muito apertada, as duas coisas podem ser verdade. O efeito pode ser pequeno, mas de tamanho suficiente para ter um impacto eleitoral, porque nós estamos tratando de uma campanha muito apertada.
E, na verdade, o que Cortez acredita que é mais importante é não fazermos análise de uma medida específica, mas procurar o efeito que essa medida tem do ponto de vista das narrativas mais amplas que as campanhas pretendem apresentar. E, aí sim, Cortez acredita que esse é um dado importante, porque, do 1º para o 2º turno, o que houve é que o PT conseguiu colocar a campanha nos termos que lhe são mais favoráveis. Pode até não resultar na virada, mas não há dúvida de que, comparado ao primeiro turno, a campanha caminha em direção mais favorável ao governo.
O 1º turno foi basicamente uma campanha de questões institucionais, alimentando uma percepção de que as coisas estão no caminho errado. Quem está vendendo uma ideia de continuidade tem muita dificuldade quando os temas levam o eleitor a tentar algo novo. Agora, no 2º turno, não.
Para Cortez, a campanha do PT basicamente está repetindo o que vem fazendo desde que assumiu o poder. Mantém essa narrativa dos ricos contra os pobres, com o PT representando os mais vulneráveis, e constrói um diálogo no sentido de que, se mudar, ainda que não esteja mil maravilhas, pode haver perdas importantes em termos de políticas que são aprovadas por uma maioria.
Confira a entrevista completa no vídeo abaixo!