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Crise no STF beneficia mais Flávio, mas não vai decidir a eleição, diz cientista político – Exame

Para Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, desgaste do Supremo reforça discurso da oposição, mas disputa presidencial seguirá definida pela avaliação do governo Lula

A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o caso Banco Master ajudou a fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), mas não deve ser o fator decisivo da eleição presidencial de 2026, segundo Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria.

Para Cortez, o desgaste do Supremo criou um ambiente favorável ao senador porque reforça uma das principais bandeiras do bolsonarismo: as críticas ao tribunal. O movimento, porém, funciona como um elemento adicional em uma disputa cujo principal eixo continua sendo a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Eu acho que, em alguma medida, é um dos elementos que explica o crescimento do Flávio nessa reta final. Eu não queria também exagerar o peso dessa variável, porque, em alguma medida, o crescimento do Flávio espelha, na verdade, a forma como a sociedade está olhando para o desempenho do governo Lula”, disse em entrevista ao programa Eleições em Pauta, da EXAME.

Nas últimas semanas, o senador do PL cresceu em simulações de primeiro turno e passou a aparecer tecnicamente empatado com Lula em cenários de segundo turno. Em alguns levantamentos, aparece numericamente à frente do petista.

“Ele não teria um impacto se o eleitor tivesse gostado, gostando do governo. Aí provavelmente não teria esse impacto eleitoral”, afirmou Cortez.

O Supremo como tema político da oposição

Cortez afirma que a relação entre Flávio Bolsonaro e as críticas ao STF está ligada à forma como o bolsonarismo passou a tratar a Corte no debate público.

“Uma marca da oposição bolsonarista, sobretudo aquela de corte bolsonarista, é fazer críticas ao Supremo Tribunal Federal, mas não fazer uma crítica pontual. Associar o Supremo a um suposto mainstream, Supremo a uma organização que politiza suas decisões, que tem viés”, disse.

Segundo o cientista político, decisões do tribunal e conflitos institucionais dos últimos anos ampliaram a presença do STF no debate político, incluindo os processos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos atos de 8 de janeiro.

Nesse cenário, políticos que já tinham construído uma imagem associada às críticas ao Supremo conseguem aproveitar um ambiente negativo em torno da Corte.

“Quando o Supremo, exposto como foi pelo chamado caso Master, entra, digamos assim, numa agenda negativa, é natural que quem teve capital político, que se associou às críticas ao Supremo, tenha uma melhor imagem junto ao eleitorado”, disse.

Alexandre de Moraes e a dimensão política do debate

Um dos pontos destacados por Cortez é o papel do ministro Alexandre de Moraes no debate eleitoral. Segundo ele, a exposição pública do magistrado fez com que sua imagem ultrapassasse o espaço institucional do STF e passasse a ocupar o debate político.

“Alexandre de Moraes, ele tem um apelido mais conhecido do que boa parte da classe política brasileira. Todo mundo fala, e aqui vou ser informal: na figura do Xandão, significa que ele ganhou um efeito político. Ele não é mais ministro do Supremo, ele é uma figura política”, afirmou.

Para o cientista político, a popularização do apelido mostra como a disputa em torno do ministro passou a fazer parte do ambiente político.

“O fato de ele ter um apelido mostra um pouco como apostar em criticá-lo, digamos, politicamente, pode render frutos”, disse.

Avaliação do governo segue como principal fator

Para Cortez, apesar do impacto político da crise no STF, o principal eixo da disputa continua sendo a avaliação do governo Lula.

Segundo ele, eleições presidenciais com tentativa de reeleição funcionam como uma avaliação da administração em exercício: quando a percepção sobre o governo é positiva, a tendência é de continuidade; quando a desaprovação prevalece, a oposição ganha espaço.

“Se a maioria rejeita a atual administração, a tendência é uma vitória da oposição”, afirmou.

Na avaliação do cientista político, o desafio de Flávio Bolsonaro é transformar a insatisfação com o governo em votos, enquanto Lula tenta manter o eleitorado que avalia positivamente sua administração.

“Então ele tem um impacto na medida em que uma marca da oposição bolsonarista é fazer críticas ao Supremo”, afirmou.

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