Copom reduz ritmo da queda de juros – TV BE News

Copom reduz ritmo da queda de juros - TV BE News

Em entrevista ao programa TV BE News, Silvio Campos Neto, economista e sócio da Tendências, discute a decisão do Copom de diminuir o ritmo de corte das taxas de juros.

Recentemente, o Copom divulgou a nova taxa de juros e o que já era esperado pelo mercado aconteceu: uma desaceleração no ritmo de cortes, sendo de 0,25% (nas últimas seis reuniões consecutivas, os cortes estavam em meio ponto percentual), com a Selic a 10,5%. 

As projeções deste ano para a inflação é que ela fique em torno de 3,70%, ou seja, dentro da meta. Então, a pergunta que fica é: qual seria o motivo para a desaceleração da queda da Selic?

A explicação pode estar lá nos Estados Unidos. Na semana passada, o Fed manteve pela sexta vez consecutiva a taxa de juros no patamar mais alto dos últimos 20 anos.

“A política monetária nos Estados Unidos tem uma implicação muito grande no ponto de vista da condução de juros em outros países. Baliza, de certa forma, o custo do capital no mundo e interfere de forma direta nas taxas de câmbio. Para países emergentes, isso acaba sendo ainda mais evidente, basta olhar o que aconteceu ao longo do mês de abril com as taxas de câmbio pelo mundo e mesmo aqui. Tivemos períodos de muita pressão, embora agora, nesse início de maio, uma parte destas pressões foram dissipadas.” aponta Silvio Campos Neto.

Campos Neto ainda diz que, “enquanto nos Estados Unidos não tivermos uma percepção mais clara e sólida de redução de juros – algo que deve acontecer no segundo semestre -, (…) é natural que os Bancos Centrais, especialmente no mundo emergente, conduzam suas políticas monetárias de uma maneira um pouco mais conservadora”.

Quando questionado sobre o dólar alto ser bom para o exportador, Campos Neto diz que depende muito da própria estrutura de custos de cada segmento. “Se é um setor mais integrado ao comércio mundial, ou seja, que importa muitos insumos, o custo dele, pelo menos em grande medida, acaba subindo junto com a própria alta do dólar. Claro que um determinado segmento que tenha custos mais ligados a questões internas, em reais, mais intensivos em mão de obra, nesse caso eventualmente a alta do dólar acaba favorecendo um pouco mais.”.

Ele acrescenta que, “pensando do ponto de vista da economia como um todo, uma pressão muito forte no câmbio acaba tendo efeito também indesejados, como repercussões inflacionárias e o aumento no custo de produção em diversos segmentos.”

“Temos, hoje, um cenário em que o gasto cresce, o governo busca compensar isso via aumento de receitas, mas claro que não há, eventualmente, uma compensação desse aumento de gasto, pelo menos não na medida necessária. Então, as incertezas fiscais também levantam essas preocupações que estão no rol de pontos a serem considerados pelo Banco Central.”, finaliza Campos Neto.

Confira a entrevista completa no vídeo abaixo!

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