Flávio pode ser o primeiro candidato a virar no 2º turno desde 1988 – Exame
- Na Mídia
- 22/09/2026
- Tendências
Em entrevista à Exame, Rafael Cortez, sócio e economista da Tendências Consultoria, analisa o cenário eleitoral e comenta a possibilidade de Flávio Bolsonaro ser o primeiro candidato a virar uma eleição no 2º turno desde 1988
A poucos dias do primeiro turno, a disputa presidencial ganhou novos elementos. Flávio Bolsonaro aparece em alta nas últimas pesquisas divulgadas e em alguns cenários até numericamente à frente do presidente Lula.
Ao mesmo tempo, o STF vive uma crise que colocou ministros como Alexandre de Moraes, André Mendonça e Edson Fachin no centro do debate político. Afinal de contas, o que conecta esses dois movimentos e o que pode ter impacto real nas urnas em 4 de outubro?
Crescimento de Flávio Bolsonaro
Cortez diz que tende a pensar na disputa presidencial como um plebiscito do governo. Se o governo é percebido majoritariamente como tendo feito um bom trabalho, ele tem uma tendência à reeleição. Caso contrário, se a desaprovação é maior do que a aprovação, ou seja, se a sociedade não gosta do desempenho do governo, a tendência é uma vitória da oposição.
Então, em alguma medida, o crescimento de Flávio Bolsonaro se deve a isso, porque, se olharmos as pesquisas – em sua maioria –, quando elas questionam os eleitores, uma grande parte do eleitorado desaprova o governo atual.
Cortez explica que isso por si só dá um mercado eleitoral natural da oposição. E, aos poucos, a candidatura mais competitiva, que é o caso da de Flávio Bolsonaro, vai entrando nesse mercado.
Além disso, quando o Supremo Tribunal Federal é exposto, como foi pelo chamado Caso Master, e entra em uma agenda negativa, é natural que quem teve capital político e se associou às críticas a ele tenha uma uma melhor imagem junto ao eleitorado, explica Cortez.
Popularidade de Lula
Cortez explica que, historicamente, o desempenho do governo ou a percepção do desempenho do governo melhora em ano eleitoral. Melhora, porque obviamente políticos são racionais, constroem uma agenda de governo voltada a ganhos de curto prazo, de fácil acesso ao eleitor, ou seja, são decisões que mexem na vida do eleitorado.
Isso aconteceu com o ex-presidente Bolsonaro na sua administração, embora tenha sido derrotado, mas a imagem dele melhorou ao longo da eleição. Em alguma medida, esse movimento foi interrompido no governo Lula. Se compararmos com o início de 2026, a avaliação do governo melhora, mas esse movimento nas últimas pesquisas tem se interrompido e foi uma melhora que não gerou no eleitorado uma sensação de continuidade natural.
Cortez diz que o eleitor vai chegar nas urnas com um espírito de mudança, mas não necessariamente esse espírito de mudança significará a vitória da oposição.
A eleição será definida – dado que existem essas duas rejeições muito calcificadas, tanto por Lula quanto por Flávio Bolsonaro – por quem for para as urnas e se essa insatisfação com o governo atual se transformar em voto para Bolsonaro ou eventualmente uma parcela em voto inválido.
Cortez acredita que é pouco provável. Para ele, essa era uma eleição que a oposição teria que ganhar, porque tem toda a cara de que é algo que aconteceria, justamente pela desaprovação com o governo atual ser maior. Por que não está explícito que a oposição irá ganhar? Por que as pesquisas mostram um cenário de empate técnico? Porque a oposição apresentou um candidato que também tem rejeição alta.
Possível cenário
Cortez acredita que vamos chegar ao primeiro turno com Lula um pouco à frente, porque Flávio Bolsonaro tem ainda um desafio de pegar esse eleitor que o desaprova e que desaprova o governo atual. Pode ser que surja um sentimento antipetista e Flávio cresça agora no final, pegando o voto de Augusto Cury, de Renan Santos e outros.
E vamos chegar com essa cara de uma disputa muito apertada, indo pro segundo turno com a questão de comparecimento. E aí, quem ganhar – Lula ou Flávio Bolsonaro –, vai ganhar com uma vantagem muito parecida com a de 2022. Cortez não vê nenhum fenômeno até lá que possa quebrar essa lógica. O que que for acontecer entre o primeiro e o segundo turno é o que dará aquela última sensação antes do eleitor fazer a escolha.
Cortez diz que, se a eleição encerrar no primeiro turno, é com Lula ganhando, porque Flávio Bolsonaro – embora tenha crescido nas pesquisas –, ainda tem uma alguns pontos percentuais que precisa retomar.
Ele é uma figura já conhecida, a imagem já tá muito calcificada, assim como a de Lula também. A questão é se vai ter um impulso final com os eleitores indecisos. Mas, se for para o segundo turno, Cortez acredita que é um quadro muito complicado pro governo Lula, porque, com esse problema de desaprovação, terá que contar com uma abstenção e um branco e nulo em patamar alto.
Se mais pessoas forem votar em 2026 do que foram em 2022 – ou seja, se a taxa de abstenção cair –, Cortez acredita ser difícil um cenário que Flávio Bolsonaro não ganhe, porque a tendência é que esse eleitor, que não votou em 2022 e que agora irá, opte pela oposição.
Confira a entrevista completa no vídeo abaixo!