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Maioria da população tem imagem negativa sobre celebridades em publicidade de bets – Estadão

Pesquisa revela que 40% dos brasileiros também confiam menos em personalidades ligadas a marcas do setor; entrevistados falaram que influenciadores, artistas e atletas que fazem propaganda para casas de apostas são ‘egoístas’, ‘manipuladores’ e ‘envolvidos com golpes’

Uma pesquisa realizada pela More in Common em parceria com a Ipsos-Ipec indica que 51% dos brasileiros têm opinião negativa sobre celebridades associadas a publicidades de casas de apostas digitais – as bets. Os entrevistados disseram que essas personalidades “prejudicam financeiramente pessoas e famílias”, “exploram pessoas mais vulneráveis”, “destroem famílias e relacionamentos”, entre outras coisas.

Apenas 9% têm alguma visão positiva, como “estão apenas exercendo sua profissão” ou “é normal fazer esse tipo de propaganda”. Foi realizada uma pergunta aberta sobre a impressão das pessoas a respeito dessas personalidades e as respostas espontâneas foram categorizadas posteriormente.

O estudo ouviu 2 mil pessoas de 130 municípios, de 4 a 8 de julho. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Os números são reveladores de um segmento no qual mais de 25 milhões de brasileiros (Banco Central, 2025) são ativos e que já movimenta mais de R$ 37 bilhões em receita bruta anual (Tendências Consultoria e Peers Consulting, 2025).

A percepção sobre a publicidade das bets indica a preocupação sobre o impacto social desse produto. Questionados sobre a importância dessa publicidade para clubes de futebol, 68% dos respondentes afirmaram que esse tipo de patrocínio deveria ser proibido pois “as apostas prejudicam torcedores e famílias”. Apenas 19% consideraram a verba importante para os times.

Pablo Ortellado, diretor executivo da More in Common no Brasil, afirma que é a primeira vez que um estudo permite enxergar a correlação de forças entre “prejudicar comunidades” e “ajudar os clubes de futebol”. “Para a nossa surpresa, diante do trade off, a proteger a família do endividamento e do vício pesou mais, mesmo com as bets trazendo dinheiro para o financiamento esportivo”, diz Ortellado. “O público brasileiro estaria disposto a pagar o sacrifício de ter menos craques no seu time ou um centro de treinamento novo, por exemplo, para proteger sua família.”

No caso das personalidades, a maioria das menções negativas sobre aquelas associadas a marcas de apostas digitais não teve efeito imediato sobre a confiança média da população: 53% não mudam necessariamente de opinião. O diretor da More in Common analisa, porém, que “esse percentual sobe de acordo com a renda e escolaridade”. Por outro lado, 4% disseram que já não confiavam em quem fazia publicidade para bets e 36% passaram a confiar menos.

“Quando o influenciador resolve fazer esse tipo de publicidade ele recebe um dinheiro bastante significativo e está consolidando uma opinião negativa junto ao seu público e, em função disso, uma parcela grande perde a confiança um pouco ou de vez nele”, analisa Ortellado.

Especialistas consideram que a publicidade de bets é um forte gatilho da ludopatia, transtorno que nomeia comportamento problemático com apostas. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) estima que cerca de 11 milhões de brasileiros já sofrem do problema.

Municípios como Belo Horizonte e Rio de Janeiro já têm restringido esse tipo de propaganda em espaços públicos. Há algumas semanas, Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, afirmou que em breve sancionaria projeto semelhante para a cidade.

Na ocasião, o advogado Bernardo Cavalcanti, representante da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), afirmou que a instituição discordava das medidas restritivas, qualificando as medidas como “inconstitucionais” por discriminarem um setor econômico, em detrimento de outros.

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