Sobra de renda encolhe e atinge menor nível dos últimos dez anos – TV Cultura
- Na Mídia
- 29/04/2026
- Tendências
Em entrevista ao Jornal da Tarde, da TV Cultura, Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de Macroeconomia e Análise Setorial da Tendências Consultoria, falou sobre a queda da renda que sobra no fim do mês para gastos complementares, que atingiu o menor nível em dez anos
As famílias brasileiras têm menos dinheiro no fim do mês para pagar itens além de contas, impostos e dívidas. Uma pesquisa identificou que a renda que sobra para o consumo é a menor em 10 anos.
E não é apenas uma impressão. Um levantamento mostra que tem sobrado menos dinheiro para os brasileiros gastarem com o consumo além dos itens básicos. De acordo com dados da Tendências, em fevereiro, a chamada sobra da massa de renda familiar era de 21%. Em 2024 era de 23%. Bem distante dos 27% registrados em 2020 e 2011, quando a medição começou a ser feita.
“A gente observa o orçamento das famílias sendo pressionado pela inflação desses itens essenciais. Inclusive, chama muita atenção ao longo do tempo a pressão advinda de alimentação no domicílio, que tem um peso muito grande na cesta de consumo. E, mais recentemente, especialmente de 2025 para cá, o peso do compromisso financeiro. As famílias estão precisando buscar linhas de crédito mais emergenciais. Então é cheque especial, cartão de crédito rotativo, linhas de crédito que têm taxas de juros muito altas.”, aponta Alessandra.
Além do salário, o indicador leva em consideração outras fontes, como previdência, benefícios sociais, aluguéis e dividendos. Desse total, é retirada a inflação de itens essenciais, como habitação, transporte, saúde, educação e alimentação.
Alessandra explica que, tirando isso tudo – imposto de renda e contribuição previdenciária –, é calculado o percentual do que sobra para outro tipo de consumo, como recreação, lazer, vestuário, aquisição de bens como móveis, eletrodomésticos e coisas do gênero.
Se, por um lado, não está sobrando, por outro, o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas subiu. É o que aponta o Banco Central. Em fevereiro, chegou a quase 30%, o mesmo índice foi registrado em março de 2025. O endividamento e a percepção que o poder de compra caiu viraram tema na corrida presidencial.
O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, tem explorado a alta do custo de vida para atrair eleitores indecisos. Por outro lado, o governo Lula prepara uma nova edição do Desenrola, programa de refinanciamento de dívidas a custos menores.
Diante desse cenário, é preciso ter cautela na hora de gastar.
A nova edição do programa de renegociação de dívidas para pessoas físicas vai permitir que famílias com débitos atrasados entre 3 meses e 2 anos negociem descontos de 30% até 90%.
Poderão ser renegociadas dívidas com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, que têm as maiores taxas do mercado. A taxa máxima de juros deverá ser de 1,99% ao mês.
Os endividados poderão negociar débitos com carência de 30 dias e, nos 3 meses seguintes, só pagarão a amortização do principal, sem juros. Com isso, as parcelas serão mais baixas nos primeiros meses. Já os prazos podem chegar a 4 anos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, prevê que o programa tenha duração limitada. De acordo com o Banco Central, o comprometimento da renda das famílias para o pagamento de dívidas alcançou quase 30% em fevereiro, maior nível da série iniciada em 2005.
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