Tendências Consultoria Econômica

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Saiba tudo o que rolou na nossa live sobre os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio

A guerra no Oriente Médio completou um mês no fim de março, marcada por uma escalada significativa do conflito, que ampliou a presença militar dos Estados Unidos na região e expandiu os ataques para diferentes países. A instabilidade já produz reflexos relevantes sobre a economia global.

Nesse contexto, a Tendências Consultoria realizou, no dia 15 de abril de 2026, um webinar exclusivo para discutir os impactos correntes do conflito e os riscos associados a um cenário de prolongamento das tensões, com foco nas cotações do petróleo e seus efeitos sobre inflação, política monetária e mercados financeiros.

O debate foi conduzido pela sócia e diretora de Macroeconomia e Análise Setorial da Tendências, Alessandra Ribeiro, e contou com as participações dos também sócios da Tendências Silvio Campos Neto e Walter de Vitto, além do analista especialista em inflação Matheus Ferreira.

O mercado de petróleo

Com a eclosão da guerra entre Estados Unidos/Israel e Irã, os preços do petróleo dispararam. O agravamento do conflito em março intensificou ainda mais esse movimento. Entre 27 de fevereiro e 31 de março de 2026, as cotações do Brent avançaram 63,3%, encerrando o mês em US$ 118,35 por barril – o maior valor desde 16 de junho de 2022.

Posteriormente, o cessar-fogo temporário de 15 dias e as tratativas em torno de um possível acordo de paz levaram a uma acomodação parcial dos preços. Em 9 de abril de 2026, o Brent recuou para US$ 95,9 por barril.

Apesar desse alívio recente, o cenário segue indefinido:

  • EUA e Irã continuam demonstrando baixa flexibilidade nas negociações;
  • Israel adiciona novos elementos de complexidade ao cenário geopolítico;
  • Os elevados custos econômicos e políticos de uma escalada mais intensa podem funcionar como fator de racionalidade para os agentes envolvidos.

Impactos da guerra no Oriente Médio

A logística de transporte de óleo e gás do Oriente Médio está concentrada no Golfo Pérsico. Além disso, a região responde por 48% das reservas globais de petróleo, 31% da produção e 11% da capacidade de refino. No caso do gás natural, o Oriente Médio concentra 40% das reservas e 24% das exportações mundiais. A região também possui participação relevante na produção global de fertilizantes e plásticos.

Os impactos da guerra sobre o mercado de petróleo dependem, sobretudo, da duração e da intensidade das interrupções no tráfego do Estreito de Ormuz, bem como de eventuais danos à infraestrutura logística, produtiva e de refino da região.

Antes do conflito, a oferta global de petróleo vinha em forte expansão, movimento que foi interrompido pela guerra:

  • Em 2025, a produção cresceu 2,9% em relação a 2024;
  • Até fevereiro de 2026, o avanço acumulado era de 3,8%;
  • Em março, dados preliminares apontaram queda de 6,3%;
  • No acumulado do ano até março, houve ligeira alta de 0,4%.

Os dados prévios já indicam redução dos estoques em março em decorrência dos efeitos da guerra.

A depender da magnitude e da persistência do choque de oferta, os estoques acumulados e a capacidade ociosa podem não ser suficientes para compensar a redução da produção.

Nesse cenário, o ajuste ocorreria via retração da demanda. Como a elasticidade-preço da demanda por petróleo no curto prazo é baixa – estimada entre -0,05 e -0,15 -, seria necessária uma elevação expressiva dos preços para provocar redução relevante no consumo.

Implicações econômicas da guerra no Oriente Médio

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março já capturou parte das pressões inflacionárias associadas ao conflito.

O aumento dos preços da gasolina e do óleo diesel respondeu por aproximadamente 30% da variação do índice geral em março de 2026.

A alta da gasolina ocorreu mesmo sem reajuste da Petrobras nas refinarias. No caso do diesel, houve aumento promovido pela estatal.

As projeções inflacionárias foram revisadas para cima, incorporando efeitos diretos e indiretos do conflito.

Administrados

  • A projeção considera o petróleo Brent em US$ 71 por barril ao final do ano;
  • A expectativa é de reajuste dos preços da gasolina nas refinarias entre abril e maio;
  • Os preços do diesel e da gasolina devem recuar ao longo do 2° semestre de 2026.

Bens industrializados

  • Espera-se repasse gradual dos maiores custos intermediários – especialmente fretes e matérias-primas – aos bens finais;
  • O cenário também incorpora o aumento dos preços do cigarro, em função da elevação da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a partir de 8 de abril de 2026.

Ambas as categorias devem sofrer impacto negativo em 2027, à medida que os preços dos combustíveis retornem à normalidade.

Ainda assim, o aumento das projeções para o próximo ano mais do que compensa a redução esperada para administrados e bens industrializados.

Alimentação no domicílio

  • O aumento dos custos logísticos e dos fertilizantes tende a ser gradualmente repassado aos preços dos alimentos;
  • As projeções também passaram a incorporar maior probabilidade de ocorrência do El Niño no fim do ano;
  • O fenômeno climático deve pressionar a inflação, especialmente no 1° trimestre de 2027.

Serviços

  • As passagens aéreas devem ser o principal vetor de pressão inflacionária no segmento, diante da alta das cotações do Querosene de Aviação (QAV);
  • A maior inércia inflacionária de 2026 tende a pressionar os preços de serviços em 2027.

Outros impactos econômicos

No cenário internacional, a perspectiva é de juros mais elevados em relação ao período anterior ao conflito. Ainda assim, o cenário-base da Tendências Consultoria segue contemplando uma redução da taxa básica de juros dos EUA (Fed Funds Rate) no fim de 2026.

O dólar deve apresentar apenas recuperação modesta, embora o câmbio continue fragilizado em termos globais.

Também houve deterioração das expectativas de inflação. As projeções do Banco Central tornaram-se mais elevadas, enquanto o processo de convergência da inflação passou a ser visto como mais lento.

As projeções da Tendências Consultoria também indicam revisão da trajetória esperada para a Selic. A média projetada para 2026 passou de 13,65% para 14,11%, enquanto a estimativa para 2027 subiu de 11,52% para 12,08%.

As médias esperadas para a taxa de câmbio nos últimos trimestres de 2026 e 2027 são de R$ 5,23/US$ e R$ 5,29/US$, respectivamente.

Já o preço médio do petróleo Brent projetado para o 2° trimestre de 2026 é de US$ 86 por barril, recuando para US$ 77 no 3° e no 4° trimestres. Essa trajetória é 24% superior à considerada no RPM anterior.

A curva de juros permanece pressionada, embora distante dos picos observados no fim de março. A recente descompressão sugere que houve algum exagero no auge das tensões. Ainda assim, taxas elevadas continuam impondo dificuldades ao financiamento de dívidas públicas e privadas.

Nos mercados financeiros, a guerra no Oriente Médio trouxe maior volatilidade, mas não foi suficiente para reverter a tendência positiva observada nos ativos locais.

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