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IPCA-15: prévia da inflação desacelera a 0,20% em janeiro com queda em energia e passagens aéreas – Estadão

Resultado ficou abaixo do esperado pelos analistas do mercado financeiro; preços de alimentação e bebidas aumentaram 0,31% no período, segundo o IBGE

RIO – Com a ajuda da redução nos custos da conta de luz e das passagens aéreas, a prévia da inflação oficial no País desacelerou de 0,25% em dezembro para 0,20% em janeiro. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) divulgados nesta terça-feira, 27, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou abaixo da projeção mediana de inflação de 0,23% prevista por analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast. No entanto, a taxa de inflação acumulada em 12 meses voltou a acelerar, após três meses consecutivos de arrefecimento: de 4,41% em dezembro de 2025 para 4,50% em janeiro de 2026.

Os dados não mudam a expectativa de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central mantenha a taxa básica de juros, a Selic, no atual patamar de 15% ao ano na reunião desta quarta-feira, 28, previu Heliezer Jacob, economista do C6 Bank.

“Acreditamos que o ciclo de cortes deve começar em março, com os juros chegando a 13% no fim do ano”, projetou Jacob, em comentário. “A melhora da inflação vista nos últimos meses de 2025 foi puxada pela queda dos preços das commodities em reais, que contribuiu para aliviar a pressão sobre os alimentos e bens industriais. Para 2026 e 2027, porém, nossa projeção é de um IPCA a 4,8%, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido e pela nossa perspectiva de desvalorização do real, em meio às preocupações com o aumento da dívida pública no Brasil.”

Os serviços intensivos em mão de obra permanecem “um desafio relevante para o Banco Central”, enquanto os bens industriais mantêm comportamento benigno, observou o economista Julio Barros, do banco Daycoval.

“Nossa projeção atualizada para inflação deste ano é de 4,1%. Esse resultado reforça o viés de baixa, mas como um todo não altera a nossa expectativa por início do ciclo de corte do Banco Central sobre a Selic em março de 2026, em função justamente desse desafio no grupo de serviços, uma parte dos itens mais sensíveis à atividade econômica, ao ciclo de política monetária, que ainda permanecem pressionados”, avaliou Barros, em comentário.

Conta de luz mais barata

A energia elétrica residencial recuou 2,91% em janeiro, resultando no maior alívio individual no IPCA-15 deste mês, de -0,12 ponto porcentual, apesar da pressão do reajuste tarifário de 21,95% em uma das concessionárias de Porto Alegre a partir de 22 de novembro.

“Em dezembro estava em vigor a bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 Kwh consumidos. Já em janeiro, a bandeira vigente é a verde, sem custo adicional para os consumidores”, lembrou o IBGE.

Ainda em habitação, a taxa de água e esgoto subiu 1,74% em janeiro, e o gás encanado teve alta de 2,51%. Já as quedas nos preços das passagens aéreas e do ônibus urbano puxaram a redução de custos com transportes em janeiro, embora a alta na gasolina tenha impedido um alívio maior ao bolso das famílias.

As passagens aéreas caíram 8,92%, segundo maior impacto individual negativo no índice do mês, -0,07 ponto porcentual. O ônibus urbano teve recuo de 2,79%, impacto de -0,03 ponto porcentual no IPCA-15. Apesar dos reajustes anunciados nas tarifas em diversas regiões, a queda na média geral foi puxada pela implementação de gratuidades aos domingos e feriados em locais como Belo Horizonte e São Paulo.

Por outro lado, o metrô subiu 2,52% em janeiro, o trem aumentou 2,43%, e o táxi avançou 0,42%. Os combustíveis ficaram 1,25% mais caros em janeiro, com avanços de 3,59% no etanol, 1,01% na gasolina, 0,11% no gás veicular e 0,03% no óleo diesel. A gasolina exerceu a principal pressão individual sobre a inflação do mês, contribuição de 0,05 ponto porcentual.

Houve aumento nos gastos também com saúde e cuidados pessoais, impulsionados por artigos de higiene pessoal (1,38%) e plano de saúde (0,49%).

A alimentação para consumo no domicílio subiu 0,21% em janeiro, interrompendo assim uma sequência de sete meses de quedas. Ficaram mais caros o tomate (16,28%), batata-inglesa (12,74%), frutas (1,65%) e carnes (1,32%). Na direção oposta, os preços recuaram para o leite longa vida (-7,93%), arroz (-2,02%) e café moído (-1,22%).

A alimentação fora do domicílio subiu 0,56% em janeiro: o lanche avançou 0,77%, e a refeição fora de casa aumentou 0,44%.

“Para o IPCA fechado de janeiro, a expectativa é de aceleração moderada do IPCA. As pressões dos preços de alimentos in natura devem se intensificar, em linha com a sazonalidade do período”, apontou Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria Econômica, em relatório.

Ao mesmo tempo, a redução do preço da gasolina nas refinarias da Petrobras tende a contribuir para deter a inflação adiante, acrescentou Francisco Luis Lima Filho, economista sênior do banco ABC Brasil.

“Com o corte de 5,2% no preço da gasolina anunciado pela Petrobras e uma surpresa baixista em itens recorrentes ao longo do ano, revisamos nossa projeção de inflação de +4,0% para +3,7% para 2026”, justificou Lima Filho, em relatório.

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