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IPCA-15 de janeiro: inflação e expectativas para o COPOM – SBT News

A economista Alessandra Ribeiro, sócia-diretora da Tendências Consultoria, comenta o IPCA-15, as perspectivas para a taxa Selic e os principais desafios da inflação

O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,2% em janeiro, dentro do que o mercado esperava. O resultado é menor do que os 0,25% divulgados em dezembro. Alimentos e cuidados pessoais puxaram a alta dos preços, enquanto gastos com habitação ficaram mais baratos.

Segundo o IBGE, no acumulado de 12 meses, o IPCA-15 alcançou 4,5%, exatamente no limite da meta de inflação.

A divulgação da prévia da inflação de janeiro reforça a tendência de queda observada no último Boletim Focus. A inflação dá sinais de controle e o foco se volta para a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central.

Ao ser questionada se o Copom pode começar a reduzir a taxa de juros já e se esse alívio nos preços é suficiente para acelerar o corte da Selic, Alessandra diz que, apesar do número benigno que foi divulgado, inclusive até um pouco melhor do que a Tendências estava projetando, eles não esperam que o Copom comece a reduzir os juros agora. A projeção da Tendências ainda é de estabilidade em 15%.

Ela explica que, apesar desse número ser um pouco mais benigno, o fato é que as projeções para o ano ainda apontam a inflação na casa de 4%, acima da meta, lembrando que a meta é de 3%.

Além disso, Alessandra diz que a própria atividade econômica ainda mostra resiliência. Isso tem um lado bom, mas torna mais desafiador trazer a inflação para patamares mais baixos, especialmente quando a gente fala de mercado de trabalho. Ele, ainda que com alguma desaceleração, segue bem, o que significa aumento de salários, que acabam sendo repassados para os preços.

Ao ser questionada se existem pressões sazonais, como na área da educação ou reajustes de tarifas, por exemplo, que podem reverter essa tendência de queda da inflação, Alessandra diz que, se olhar no mês a mês, existem essas oscilações sazonais. Agora, por exemplo, estamos em um período de mais chuvas, o que acaba afetando os preços de alimentos no domicílio, principalmente porque as chuvas impactam algumas culturas e produções. Esse é um típico efeito sazonal.

Depois, temos o efeito sazonal da educação, especialmente em fevereiro, com reajustes de mensalidades escolares. Há também momentos relacionados a reajustes de medicamentos. Então, sim, Alessandra confirma que existem esses movimentos sazonais.

Mas Alessandra explica que o Banco Central, quando faz a análise do cenário inflacionário e decide a política monetária, olha além desses efeitos sazonais, pois já são conhecidos e esperados. O foco está principalmente na dinâmica da inflação. E é essa dinâmica que o Banco Central quer garantir que esteja em convergência para a meta. Isso é o que determina a decisão de política monetária.

Taxa Selic

Sobre a taxa de juros no patamar de 15% e qual  o dano que ela está provocando no balanço das empresas, Alessandra explica que a taxa básica de juros alta, especialmente para aquelas muito endividadas, significa um pagamento muito mais expressivo de juros, colocando algumas empresas em situação mais desafiadora. Para essas empresas, o cenário é realmente de grande dificuldade.

Mas vale lembrar que é por meio da política monetária que o Banco Central calibra o ritmo de crescimento da atividade econômica e, a partir disso, garante a inflação alinhada à meta. A gente sabe que uma inflação alta ou descontrolada causa um dano muito maior à economia, afetando todas as classes sociais, especialmente as de menor poder aquisitivo.

Alessandra diz que é um “remédio amargo”, sem sombra de dúvida, mas necessário para garantir essa calibragem da economia e a inflação controlada, cujos danos podem ser potencialmente muito maiores para toda a economia e para a sociedade.

Inflação em 2026

Além da questão dos alimentos, para os quais a Tendências espera um comportamento menos benigno do que no ano passado, Alessandra diz que estão trabalhando com uma inflação de alimentos mais alta em 2025, na casa de 5%.

Alguns elementos vão exigir mais atenção, como a dinâmica de preços das carnes, que precisa estar no radar. Além disso, há a inflação de serviços, que segue elevada. Essa dinâmica, inclusive, tem preocupado bastante o Banco Central.

A inflação de serviços, especialmente aqueles intensivos em mão de obra, está rodando próxima de 8%. Portanto, há fatores que exigem cautela ao longo do ano, principalmente a dinâmica dos preços de alimentos e de serviços.

Confira a entrevista completa no vídeo abaixo!