Eleitorado busca mudança e consolida nova direita no Brasil – Rádio CBN
- Na Mídia
- 23/10/2026
- Tendências
Em entrevista à Rádio CBN, Rafael Cortez, economista da Tendências Consultoria, analisou o cenário político brasileiro e as mudanças no comportamento do eleitorado
Pensando na questão ideológica, Cortez diz que podemos simplificar e dizer, basicamente, que, na eleição presidencial, o que aconteceu foi que a maioria do eleitorado queria mudanças.
O governo Lula não conseguiu entregar um bom governo ou, pelo menos, um governo percebido como positivo. Então, basicamente, independentemente de qual fosse o adversário, era uma questão de tempo para o governo perder a eleição. Ainda não se encerrou, mas, diante do fato de que a maioria desaprova, o candidato da oposição mais competitivo levaria essa disputa.
Para Cortez, é bem possível que, na verdade, o eleitorado, principalmente da classe C, só queira mudança, porque, se olharmos a biografia de Flávio Bolsonaro e o histórico dele na política, é pouco provável que ele tenha uma ponte mais forte do que a forma como conquistou esse eleitor.
Se Lula não conseguir melhorar a imagem do seu governo – e, no primeiro turno, conseguiu de forma muito limitada –, ele perderia de qualquer um. Assim, o fator fundamental é a avaliação do governo.
Para a eleição legislativa, Cortez acredita que tem um ponto importante, que é um aprofundamento de um movimento à direita que vem acontecendo na política brasileira há um bom tempo.
Talvez Lula e a vitória em 2022 tenham minimizado e dado uma sensação de que esse movimento não era tão forte, mas Cortez explica que, se expandirmos um pouco o horizonte temporal da análise e marcar como recorte algum momento dos anos 1990 ou início do governo Lula, vamos conseguir rapidamente perceber uma estabilidade da esquerda, com o PT se destacando, Mas, para Cortez, o grande movimento é um aumento da direita e uma mudança do perfil da direita.
Cortez explica que está surgindo cada vez mais uma direita que tinha um diálogo mais próximo com a própria esquerda, com essa combinação dos partidos tradicionais liderados pelo PSDB, mas que, do ponto de vista de política pública, tinha uma continuidade, e está entrando uma nova elite política para capitalizar essa direita, que é muito diferente.
Existe a tese de que há essas transformações socioeconômicas, não sendo mais o trabalho industrial, mas o trabalho de serviço não sindicalizado que tem se destacado. E existe a tese que tem a ver com as redes sociais, com comunicação política e com uma nova forma de fazer esse diálogo com o eleitor.
Para Cortez, o que está acontecendo nessa mudança de perfil dentro da direita é intrigante e muito importante para esmiuçar, porque, quando você olha para o perfil, já entrando mais na eleição do Congresso, isso está muito presente.
Quando você olha para as dificuldades dos políticos tradicionais fazerem a comunicação nessa nova seara, Cortez diz que isso explica também uma série de dificuldades do Lula.
Confira a entrevista completa no vídeo abaixo!