Debate sobre a possível extinção do Perse, programa da retomada do setor de eventos – TV Câmara
- Na Mídia
- 27/03/2025
- Tendências

No dia 27 de março, Thiago Xavier, consultor da Tendências Consultoria, participou de um debate sobre a possível extinção do Perse, programa de retomada do setor de eventos, transmitido pela TV Câmara.
O que é o Perse?
Thiago explica que, desde os primeiros anos do Perse, o programa de retomada do setor de eventos, a Tendências Consultoria teve um papel de avaliador independente, de monitorar quais eram os custos e os benefícios sociais do programa.
Ele retorna para as origens do programa, explicando que, em 2020, com a grave recessão econômica e social, o Brasil, a cada quatro empregos celetistas no setor, um era destruído. Então, o Perse nasceu com o objetivo de atenuar uma crise mais do que econômica, uma crise social.
Em 2021 o setor ainda era fragilizado, com uma recuperação tardia. Nos anos de 2022, 2023 e 2024, o setor voltou a se destacar nos papéis de crescimento econômico, de pagamento de dívida e de geração de emprego.
Thiago diz que o Perse cumpriu e cumpre um papel essencial para atenuar a crise, impedir cicatrizes e reaquecer o setor.
Fase atual do Perse
Thiago explica que, na atual fase do Perse, a maior preocupação das empresas era a previsibilidade. Ele diz que a ciência econômica concorda com todas as empresas: o empresário, diante de muita incerteza e muito risco, fica cauteloso, menos ambicioso na geração de emprego e na geração de investimento. Então, de fato, a eficiência de uma política depende da comunicação e da transparência.
E é justamente nesse ponto que, de acordo com Thiago, o programa de fato apresentou problemas na comunicação, em relação à frequência: era um relatório bimestral, mas esse relatório não foi entregue a cada dois meses.
Há um problema essencial, também, no detalhamento das informações. Thiago diz que é preciso saber efetivamente quais empresas estão habilitadas, porque isso muda o fim do programa e pode colocar em risco tudo que foi construído e os benefícios que foram gerados até aqui.
Thiago diz que existem vários exemplos de onde há uma oportunidade de voltar à mesa, de sentar com a Receita Federal e entender o cálculo. Quando os resultados da Dirb, a principal referência, são analisados, não é possível reproduzir com a mesma exatidão os valores oficiais.
Thiago traz um dado essencial para o debate: o número de CNAEs presentes no relatório. Segundo a Lei nº 14.148, são 30 CNAEs elegíveis. No relatório, há pelo menos 180 CNAEs. Ou seja, 85% dessas CNAEs estão em desacordo com a lei. Isso não é um detalhe e nem um excesso, é preciso entender caso a caso e o custo efetivo do programa, entender excessos e melhorá-lo.
Outra informação essencial que Thiago trás: quando são avaliadas as 10 empresas que mais consumiram o programa, temos um total de R$ 2,2 bilhões. Dessas 10 empresas, um terço desse valor, quase R$ 1 bilhão, está sendo usado por empresas que estão em desacordo com a lei.
Thiago explica que é por isso que, tecnicamente, o que é preciso é mais diálogo, é voltar à mesa para realmente entender a conta, porque isso está colocando em risco um programa que mudou vidas. Ele diz que é sobre esse olhar técnico trazido para o debate.
Ele finaliza levantando o questionamento: qual empresa está, de fato, habilitada? Qual empresa, de fato, muda o ponteiro e muda o fim do programa? Isso, ao final das contas, gera uma diferença de o custo do programa, de abril a dezembro, que pode ser de R$ 12,6 bilhões de reais, que é o número oficial, como pode ser de R$ 11 bilhões, que é a avaliação da Tendências, considerando as 30 CNAEs que cumprem efetivamente a lei.
O pedido de Thiago e da Tendências, como técnicos, como avaliadores independentes, é justamente mais diálogo, mais volta à mesa, entender os detalhes técnicos para que a comunicação do programa gere previsibilidade e não coloque em risco todos os benefícios e tudo que foi construído socialmente nos últimos anos.
Confira o debate completo no vídeo abaixo!