Tendências Consultoria Econômica

Edit Template

É bem possível que os debates do 2° turno sejam decisivos para eleição, diz especialista – CNN Brasil

Em entrevista ao programa Hora H, da CNN Brasil, Rafael Cortez, economista da Tendências Consultoria, analisou o cenário eleitoral e destacou a importância dos debates presidenciais no 2º turno

Nós não assistimos até agora a nenhum momento de embate e de debate entre Flávio Bolsonaro e Lula. É a primeira vez que o eleitorado terá contato com esse “duelo”. Uma campanha que é muito polarizada, que os lados estão muito definidos, mas que tem uma margem de eleitorado que, embora pequena, pode fazer diferença, explica Cortez.

É bem possível que os debates, que são o momento em que as candidaturas vão se expor um pouco mais, não só no sentido mais pessoal do comportamento de cada um, mas especialmente também em temas mais espinhosos para uma campanha ou outra, sejam bastante decisivos.

Muito embora o governo tenha usado um arsenal de medidas para melhorar a sua imagem, muito provavelmente essa melhora não irá garantir a reeleição. Ou seja, ela não vai se dar num patamar em que o presidente Lula terá algum conforto, explica Cortez.

E o contrário também é verdadeiro. Flávio Bolsonaro, embora tenha um ponto de partida mais positivo pelo resultado do 1º turno – e o resultado do 1º turno está muito correlacionado com o que acontece no segundo –, ao mesmo tempo vem perdendo um potencial eleitor, ou seja, um eleitor que votou nele no 1º turno, mas, a partir da maneira como o PT está fazendo campanha, eventualmente vai para branco e nulo ou vira indeciso.

E, se esse mesmo eleitor confirmar o apoio a Lula, esse estoque de votos pode ser suficiente para a virada, o que significa que os debates serão fundamentais nessa reta final da campanha.

Temas do debate

Sobre existir algum tema que demanda que cada um dos lados esteja mais preparado, como, do lado de Lula, as investigações sobre o filho de Lula, Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, e do lado de Flávio, toda a questão do Caso Master, do filme Dark Horse e das acusações contra ele, Cortez diz que é preciso ficar de olho em quem é mais sensível.

Para Cortez, quem terá mais desafio no debate é Flávio Bolsonaro, por uma razão: ele passou uma campanha no 1º turno sem precisar se expor do ponto de vista político. Tanto é assim que, quando a campanha cometeu um erro de começar a anunciar o que eventualmente faria ou dar um discurso no sentido de que “já ganhamos”, isso promoveu e facilitou essa campanha do PT. E vimos que Flávio Bolsonaro precisou reorganizar uma série de pontos.

Lula, por outro lado, já tem a sua imagem mais consolidada. O que, para Cortez, Lula precisará evitar é a retomada daquela campanha com ar de 1º turno. E aí existem temas como o INSS, referências ao seu filho e mais. Então, todos os temas que podem dar um certo amargor.

A questão é: embora, para Lula, os debates sejam mais fáceis, no sentido de que tem menos agenda negativa em torno da sua campanha, o problema de Lula é que ele precisa ir tão bem melhor para conseguir fazer a virada, porque não é só chegar perto do Flávio, mas é garantir que esse eleitorado de fato vai votar.

O problema da abstenção é especialmente importante para quem está atrás. E, como nesse momento é a campanha de reeleição, Lula precisará de uma nota adicional para conseguir fazer a virada.

Confira a entrevista completa no vídeo abaixo!