Projeções para Selic e IPCA são revisadas

Share on email
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Foto: Agência O Globo.

Por: Silvio Campos Neto

A partir dos sinais emitidos pelo Copom em sua última reunião, e em meio ao contexto de deterioração do quadro inflacionário e fiscal, a Tendências alterou o cenário para a Selic nos próximos meses, que passa a contemplar um ajuste adicional de 300 bps. Com isso, a expectativa para a taxa básica ao final do ciclo de ajuste no início de 2022 foi alterada para 10,75%.

Esta projeção envolve a perspectiva de uma nova elevação de 150 bps na Selic em dezembro, com ajustes residuais no início de 2022 nas reuniões de fevereiro e março. O desconforto com as novas sinalizações fiscais ficou evidente no comunicado da reunião desta quarta-feira. O Banco Central atribuiu aos questionamentos do arcabouço fiscal o aumento do risco de desancoragem das expectativas de inflação.

A depender das escolhas dos rumos fiscais nos próximos meses e suas potenciais repercussões na precificação de ativos e nas expectativas de inflação, não se pode descartar um nível de chegada do ciclo ainda mais elevado. No entanto, o quadro de desaceleração econômica já esperado para o próximo ano e a sinalização do Banco Central de conceder ao ano de 2023 o mesmo peso de 2022 no horizonte relevante da política monetária sugerem limites para o ajuste total. É um sinal de que o Copom pode preferir estender a convergência da inflação às metas ao longo de dois anos, evitando um choque mais intenso e impactante na economia no curto prazo.

No caso do IPCA, as projeções da Tendências para 2021 e 2022 foram revisadas de 8,7% para 9,8% e de 4,2% para 4,6%, respectivamente. A revisão para 2021 é reflexo das alterações das projeções para o IPCA do último trimestre, após a divulgação do IPCA-15 de outubro, que voltou a surpreender para cima. Além das surpresas com a inflação corrente, a evolução de alguns condicionantes relevantes, como a taxa de câmbio e os preços de commodities, sugere um resultado mais elevado para a inflação no curto prazo.

Para 2022, a revisão reflete, por um lado, o efeito inercial adicional que deve ser carregado para o exercício seguinte. Além disso, o contínuo movimento de deterioração das expectativas inflacionárias – diante dos acenos do governo às medidas que pioram a percepção fiscal – é outro fator que motiva o descolamento adicional das projeções em relação à meta estipulada. Importante destacar que a nova estimativa de 4,6% está mais próxima do teto da meta do próximo ano (5,0%) do que da meta central de 3,5%.

Acesse todos os serviços e produtos

Faça seu login