PIB do Centro-Oeste e Norte serão destaques positivos no biênio 2022-23

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Por: Camila Saito, Lucas Assis e Thiago Duarte

Em termos qualitativos, a visão cautelosa da Tendências acerca das perspectivas de crescimento da economia brasileira mantém a projeção de variação nula do PIB nacional em 2022 e de alta (+1,3%) em 2023, ainda que a estimativa deste ano possua viés de alta. A despeito dos novos fatos — de um lado, valorização das commodities e gastos fiscais e monetários, e de outro, revisão baixista do crescimento mundial e inflação pressionada —, o amplo conjunto de informações disponíveis acerca do cenário macroeconômico, político e sanitário subsidia a visão de baixo dinamismo do PIB no biênio 2022-23. Todavia, considerando as disparidades econômicas intranacionais, a Tendências estima que, no período, Norte e Centro-Oeste devam mostrar melhor desempenho entre as regiões, enquanto o Sul deva apresentar dinâmica menos positiva da atividade econômica.

Mapas com variação anual do PIB Total em 2022 e 2023 para Regiões Geográficas

figura_mapas PIB

Obs: Mapas de calor, em que a intensidade das cores indica melhor (mais escuro) ou pior (mais claro) desempenho do PIB no período. Fonte: IBGE (elaboração e projeção Tendências).

Considerando a significativa concentração regional do desenvolvimento brasileiro, é fundamental mencionar a dinâmica econômica da região responsável por 52% do PIB nacional (conforme dados do Sistema de Contas Regionais 2019, do IBGE). Com expectativa de variação nula do PIB Total em 2022, o Sudeste deve exibir desempenho negativo em seus setores industriais pró-cíclicos (projeção de -1,3% para o PIB da Indústria), como metalurgia, máquinas e equipamentos, tendo em vista o baixo dinamismo da demanda interna por bens industriais, considerando tanto o aumento da demanda por serviços quanto o cenário de manutenção de pressões inflacionárias e alta da taxa de juros.

No próximo ano, apesar da queda da produção agropecuária (projeção de -4,6% para o PIB da Agropecuária), graças à bienalidade negativa do café, o PIB total do Sudeste deve avançar 1,1% ante 2022. Além da expectativa de crescimento da produção de veículos e de minério de ferro, com retomada de operações da Vale paralisadas em MG e maior produção da Anglo American no complexo Minas Rio, o Sudeste deve se beneficiar da expansão daprestação de serviços às famílias em 2023 (projeção de +1,0% para o PIB de Serviços), minimizando as perdas ainda acumuladas desde o início da pandemia, especialmente favorecida pelos gastos das famílias de maior classe de renda.

Cenário relativamente mais positivo deve ser verificado na região Centro-Oeste, cujo PIB Total deve exibir alta de 1,4% em 2022. Com maior dependência das atividades associadas ao agronegócio nos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás (projeção de +7,3% para o PIB da Agropecuária), a região deve exibir crescimento da produção de milho e algodão, considerando relativa normalização do regime de chuvas, e de carne bovina, a julgar pela maior disponibilidade de animais aptos para abate e de demanda externa ainda aquecida para proteína animal brasileira. Vale pontuar que, no último ano, a região foi penalizada tanto pela baixa disponibilidade de bovinos para abate quanto pelas adversidades climáticas ao longo da safra 2020/21, em especial nas lavouras de soja e milho. Por fim, além da expansão do volume de serviços, a região Centro-Oeste deve beneficiar-se da maior produção industrial de biocombustíveis e de alimentos em 2023, com destaque à de carne bovina e de açúcar, resultando em crescimento de 1,8% do PIB total.

Já a região Nordeste deve contar com efeitos positivos da retomada do turismo, especialmente nos estados de Alagoas, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia, em meio ao avanço da vacinação e fim das medidas de isolamento social. Tendo em vista a expectativa favorável para o setor de serviços e comércio na região, o PIB nordestino deve avançar 0,6% em 2022. Apesar da expectativa de crescimento da produção industrial de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, a carência de grandes projetos de investimentos previstos para operarem no curto prazo e o fechamento de importantes plantas industriais (como a Ford na Bahia) limitam melhor desempenho econômico. Em 2023, a despeito da inflação pressionada, do aumento nos preços dos bens e da piora nas condições de crédito, o PIB da região Nordeste deve avançar 1,7%, com destaque à produção de veículos, tendo em vista a melhora do mercado de trabalho e das condições de financiamentos, além dos menores custos industriais.

Maior região em extensão territorial do País, o Norte conta com uma estrutura produtiva fundamentalmente pouco sensível à dinâmica econômica, com maior dependência das atividades associadas à indústria extrativa e agropecuária, segundo dados do IBGE. À vista disso, a expectativa é de avanço de 1,5% do PIB total da região, o melhor desempenho do País. Em 2022, a economia nortista deve ser beneficiada pela retomada das indústrias extrativa e metalúrgica, após desempenhos modestos em 2021, devido às paradas para manutenção tanto das plantas da Vale quanto das minas de bauxita (responsáveis pela produção de alumina/alumínio). Em 2023, o PIB da região Norte deve apresentar alta de 2,7%, o melhor desempenho do País, graças à maturação dos investimentos de ampliação da capacidade de produção da S11D (Vale) no Pará.

Por fim, a região Sul deve apresentar desempenho relativamente mais modesto do PIB no biênio 2022-23. Após maior avanço dentre as regiões brasileiras em 2021 (projeção de +6,5% para o PIB total ante 2020), a economia sulista deve ser a única a apresentar queda em 2022 (-1,3%). De um lado, os setores industriais pró-cíclicos devem sofrer com as restrições de oferta de insumos e desarranjo de cadeias produtivas, e com as incertezas decorrentes das searas política e institucional do País. De outro, o PIB da Agropecuária deve reduzir neste ano (-12,3%), diante da forte estiagem no Rio Grande do Sul e Paraná, prejudicando as safras de soja e arroz. Em 2023, frente à reduzida base de comparação, o PIB da região Sul deve expandir 2,1%, com recomposição da produção agropecuária.

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