As três chaves para a corrida presidencial

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Foto: Antonio Augusto/TSE.

Por: Rafael Cortez

Recentemente, foi apresentada uma onda de pesquisas eleitorais, contribuindo para o melhor entendimento da conjuntura atual. A combinação entre declarações do ex-presidente Lula com potencial desgaste no campo petista e o tensionamento institucional levado a cabo pelo presidente Bolsonaro poderiam gerar mudanças relevantes na corrida presidencial. Sob essa ótica, as pesquisas foram decepcionantes. Em linhas gerais, os levantamentos mais recentes confirmaram os cenários dos diferentes institutos de pesquisa. Nossa leitura é de que, a despeito da falta de movimentação mais expressiva entre os diferentes candidatos, os resultados expressam com clareza os desafios dos projetos petistas e bolsonaristas. A avaliação da Tendências é de que três grupos de eleitores aparecem como chaves para o acompanhamento da disputa presidencial. A tendência é de eleição bastante apertada, com ligeira vantagem para Lula.

A campanha de reeleição enfrenta na economia o seu principal desafio. A pesquisa Quaest/Genial mostrou que, para 50% do eleitorado, a economia é o desafio central do País. Não por acaso, inflação, desemprego e crise foram as preocupações mais destacadas pelos eleitores. Assim, é natural que mais de 60% dos eleitores acreditem que a economia brasileira está no “lugar errado”, de acordo com o Instituto de Pagamentos Especiais de São Paulo (Ipespe), o que explica o fato de que ao menos seis em cada dez brasileiros desaprovam o governo. A Quaest/Genial apontou que 58% dos brasileiros não acreditam que o presidente mereça um novo mandato.

O desafio petista é fazer uma campanha de oposição que não entre em choque com grupo de eleitores de peso eleitoral relevante e que, em alguma medida, identifica-se com a agenda do governo. A desagregação pela variável religiosa parece trazer o grande desafio do PT. A pesquisa Quaest/Genial mostrou que a rejeição do governo entre eleitores evangélicos é de 32% (ruim/péssimo), contra 46% do total dos brasileiros.

Por ora, a mobilização do ex-governador Geraldo Alckmin ainda não se manifestou em sinais mais concretos para um eleitor que é potencialmente de oposição ao governo Bolsonaro, mas que tem resistências importantes à esquerda e, especialmente, ao ex-presidente.

Essa leitura da cena eleitoral joga atenção em três grupos principais para o entendimento do resultado das urnas: mais vulneráveis (economia), evangélicos (conservadorismo) e eleitores que votaram nulo no segundo turno em 2018 (comparação de rejeição).

Avaliação de governo até dois salários mínimos

Fonte: Quaest/Genial. Elaboração: Tendências.

A rejeição ao governo Bolsonaro é especialmente elevada entre os mais vulneráveis, sinal do peso do voto econômico no comportamento eleitoral. O movimento de queda dessa rejeição foi interrompido em um patamar que, grosso modo, inviabiliza a reeleição do presidente. A pesquisa mostrou que Bolsonaro teria apenas 19% de avaliação positiva entre os eleitores mais pobres. A tendência de perda de dinamismo da atividade econômica e inflação mais elevada não sugere um cenário mais positivo para o governo nos próximos levantamentos.

Um conjunto de declarações do ex-presidente Lula foi percebido como erro mesmo para os partidários do petista. Em linhas gerais, a campanha não emitiu sinais consistentes para mobilizar o eleitor de centro-direita mesmo com a escolha de Alckmin.

A figura abaixo mostra que, entre os diversos temas da fala do petista, referências à agenda de valores é que foram as grandes vilãs da campanha, com destaque para o discurso sobre a prática do aborto. Bolsonaro ampliou de forma relevante a sua vantagem nesse segmento.

Intenção de voto entre evangélicos

Fonte: Quaest/Genial. Elaboração: Tendências.

A agenda econômica, contudo, não deve ser uma boa estratégia para mobilizar esse grupo. Assim, mantém-se a leitura de que a “moderação” da campanha não passa por sinais relativos à privatização ou a emenda do teto. É o debate sobre costumes que é o mais difícil para o PT.

A rejeição entre os dois candidatos é um ponto importante para o resultado de 2022. A figura abaixo mostra que o eleitorado que já não gostava da polarização em 2018 não dá apoio ao presidente Bolsonaro. Se os anos de governo não mudaram a imagem do presidente perante esse eleitor, é difícil avaliar que haja um estoque de possíveis votos para Bolsonaro “virar” a campanha no segundo turno.

Assim, o mesmo eleitor que em 2018 ajudou a Bolsonaro, em 2022, diante do cansaço com a polarização, deve ajudar o petista.

Avaliação de governo desagregada pelo segundo turno em 2018

Fonte: Quaest/Genial. Elaboração: Tendências.

Nossa leitura é de que o quadro econômico continua pouco favorável à reeleição. Assim, a janela de oportunidade para a oposição existe. Basta diminuir os erros ao longo da campanha.

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