Apenas o Norte deve superar os efeitos econômicos da pandemia em 2021

Por: Camila Saito e Lucas Assis

A perspectiva de crescimento da economia brasileira este ano não será suficiente para garantir a recuperação do nível de atividade verificado no período anterior à pandemia. Todavia, considerando as disparidades econômicas entre as regiões, a Tendências projeta que, em 2021, a região Norte será a única a exceder o PIB registrado em 2019. Já sob a ótica intrarregional, apenas sete Estados devem encerrar 2021 com PIB acima do patamar pré-pandemia: Amazonas, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.

Em 2021, o nível do PIB brasileiro deve ficar ainda 1,6% abaixo do pré-pandemia. Com base em premissas como a manutenção da responsabilidade fiscal e a hipótese de vacinação da maior parte da população ao longo do segundo semestre do ano, a Tendências espera um quadro de continuidade da recuperação gradual da economia brasileira em 2021, com expansão de 2,9%, após queda esperada de 4,4% em 2020.

Figura: Diferença de nível do PIB Total entre 2021 e 2019 para as regiões geográficas brasileiras

Obs: Mapa de calor, em que as cores azuis indicam melhor desempenho do PIB no período e as cores vermelhas indicam pior desempenho do PIB no período (conforme intensidade). Fonte: IBGE. Elaboração e projeção: Tendências.

Maior região em extensão territorial do País, o Norte apresenta significativas heterogeneidades econômicas. Enquanto sua maior economia, o Pará, deve ser capaz de encerrar 2021 com o PIB acima do nível pré-pandemia, Estados como Amapá e Acre, por outro lado, ainda estarão longe de superá-lo. Em 2020, o Norte deve ter apresentado o melhor desempenho regional do PIB Total (-0,8%) frente à queda de 4,4% da média nacional.

Cenário ligeiramente negativo deve ser verificado na região Centro-Oeste, cujo PIB deve encerrar este ano 0,9% abaixo do nível pré-pandemia. Com maior dependência das atividades associadas ao agronegócio nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, e dos serviços públicos no Distrito Federal, a região deve ter apresentado o segundo melhor desempenho regional do PIB Total em 2020 (-3,0%).

O resultado negativo do Centro-Oeste, entretanto, decorre da forte queda da atividade econômica brasiliense em 2020 e da lenta recuperação esperada para 2021. Uma particularidade da capital federal do Brasil prejudicou fortemente o desempenho das atividades de serviço e comércio: a presença massiva de pessoas ocupadas no setor público, cujo trabalho tornou-se majoritariamente remoto. Pesa contra o crescimento do seu consumo de bens e serviços, ainda, o congelamento dos salários do funcionalismo público esperado para 2021.

Sem qualquer estado em situação positiva, a região Sul deve encerrar este ano com o PIB 1,6% abaixo do seu nível pré-pandemia. A quebra de safra da soja no estado do Rio Grande do Sul, ocorrida durante boa parte do ciclo da cultura do grão, não afetou somente a produção agropecuária, mas também toda a cadeia produtiva envolvida com o agronegócio — impactando desde os fornecedores da agropecuária até a cadeia posterior. Em 2020, o Sul deve ter mostrado o pior desempenho regional do PIB do País (-5,7%) frente à queda de 4,4% da média nacional; mas também deve apresentar o maior avanço neste ano, com crescimento de 4,4% (contra +2,9% do País), considerando a recomposição da produção agropecuária gaúcha e a recuperação parcial das atividades sensíveis à dinâmica econômica (como a produção de veículos automotores).

Assim como a região Sul, a economia do Nordeste em 2021 deve permanecer 1,6% abaixo do PIB pré-pandemia. Marcados por grande vulnerabilidade econômica, os Estados nordestinos apresentavam, desde o início da pandemia da covid-19, dotação desfavorável ao enfrentamento da crise. Na região, os grupamentos de atividade mais atingidos pelas medidas de distanciamento social, como os setores de alojamento e alimentação, serviços domésticos e comércio, ocupavam proporcionalmente mais pessoas em relação às demais regiões.

Entretanto, as políticas sociais compensatórias do governo federal, com destaque para o auxílio emergencial, impediram uma queda mais proeminente da atividade econômica no Nordeste — tradicionalmente dependente do investimento público. Diante do fim dos repasses emergenciais em 2021, a Tendências estima que a região apresente o pior desempenho do País, com avanço de apenas 2,0% ante 2020.

Considerando a significativa concentração regional do desenvolvimento brasileiro, é fundamental mencionar a dinâmica econômica da região responsável por 52,2% do PIB nacional (conforme dados do Sistema de Contas Regionais 2018, do IBGE). O Sudeste deve encerrar 2021 com o PIB ainda 2,0% abaixo do seu nível pré-pandemia, intensamente prejudicado pelo desempenho negativo dos setores industriais pró-cíclicos (como automotivo, metalúrgico e de máquinas e equipamentos) localizados em São Paulo. Ainda assim, o Rio de Janeiro deve ser um dos Estados mais resilientes ao biênio 2020-21, resultado do incremento nas produções de petróleo e gás natural.

Ainda com relação ao Sudeste, o ano de 2021 deve ser marcado pela reativação gradual da produção de minério de ferro pela Vale (paralisada desde a tragédia em Brumadinho) e pela retomada parcial dos setores industriais mais sensíveis ao ciclo econômico — impulsionando o PIB da região a um crescimento de 2,9% ante 2020.

Acesse todos os serviços e produtos

Faça seu login