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País é diferente da Venezuela, diz Mailson


Crítico da política econômica do governo da presidente Dilma Rousseff, Mailson da Nóbrega, ministro da Fazenda entre 1988 e 1990, defende que o investidor considere disputar os leilões de infraestrutura em andamento e não "simplesmente saia correndo". "É possível provar que o risco de o país trilhar o caminho argentino ou venezuelano é muito baixo. O Brasil se destaca pela qualidade de suas instituições", diz.


Mailson é sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada, que firmou uma parceria com o Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) e a Inter.B para prestar assessoria a empresas no segmento de concessões. Em entrevista ao Valor, ele não deixa de contestar o modelo de leilão elaborado a partir do governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003 a 2010), que prioriza menores tarifas. "O ideal seria que o governo revisse a questão da modicidade, mas duvido que isso aconteça."

Além disso, ele acredita que deveriam ser buscadas taxas de retorno mais atraentes ao mercado. O governo ainda pode receber pedidos de grupos privados por melhorias na atratividade dos projetos, diz. "Os investidores sabem lidar com situações como essa, seja demandando rentabilidade maior ou reduzindo participação a alguns projetos em específico", afirma.

Mesmo assim, ele acredita que haverá participantes em todos os projetos. "A tendência é que, exceto no caso do trem-bala [no setor, há dúvidas sobre a viabilidade do projeto], todos os leilões tenham participantes e tenham vencedores. Não tenho dúvida disso. O que se pode discutir é se serão os ideais", afirma. Segundo ele, a percepção sobre a presença de interessados é ainda mais forte no caso de rodovias e aeroportos - segmentos em que há forte concorrência. Em ferrovias, ele diz ainda haver dúvidas sobre o modelo.

Mailson ressalta que os projetos levados ao mercado são de longo prazo, e que isso deve ser considerado pelo investidor estrangeiro como um forma de se obter experiência. "Ter um pé aqui dentro, ainda que em uma ou duas concessões, é perceber as tendências do país, é avaliar. Então, ficar de fora pode significar estar fora por muito tempo, porque outros vão entrar", diz.

A assessoria montada pela empresa do ex-ministro será voltada ao apoio no estudo dos leilões e em aquisições e venda de participações no setor. Hoje, a Tendências já elabora o fluxo mensal de veículos nas estradas com pedágio em parceria com a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) - o Índice ABCR. 

 

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 02/07/2013.



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