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PAC Equipamentos: agora vai! Por Juan Jensen


Agora vai! Com o PAC Equipamentos, no qual foi anunciado que o governo vai comprar 8 mil caminhões, 3 mil tratores, 500 motos, 40 tanques e 30 lança mísseis, entre outros equipamentos, a economia vai decolar e o Produto Interno Bruto (PIB) vai apresentar alto crescimento ainda em 2012.

Ironia à parte, o total de compras do novo pacote é de R$ 8,4 bilhões , que correspondem a 0,2% do PIB, e não vão resolver o problema de crescimento brasileiro.


Assim como os recentemente anunciados Planos "Brasil Maior" 1 e 2; reduções de IPI para eletrodomésticos e automóveis; e estímulos ao crédito via bancos públicos, as medidas são pontuais e não vão solucionar o baixo crescimento.

O governo atual tem adotado uma postura cada vez mais intervencionista no campo microeconômico. Em termos macroeconômicos, tem destruído as principais instituições, sendo a principal a deterioração do tripé de política econômica. A taxa de câmbio deixou de ser flutuante e voltamos a um sistema de bandas, agora com limites informais.

A política monetária não tem mais como foco a inflação no centro da meta e, sim, um maior crescimento econômico, ainda que com a restrição de que a inflação fique abaixo do teto da meta. A única perna do tripé que sobrevive é a gestão fiscal, que tem gerado um superávit primário compatível com o objetivo, ainda que os cortes nos investimentos sejam sempre uma medida de ajuste para o cumprimento integral das metas fiscais.

Nesse ambiente em que o setor público é um ator cada vez mais atuante e a previsibilidade econômica diminuiu, não é de espantar a ausência do setor privado. O resultado disso tudo é a estagnação da economia nos últimos três trimestres, juntamente com a queda dos investimentos privados.

O governo atual não tem projeto e propostas com objetivos de médio e longo prazos. Num momento em que a taxa de desemprego está em seu mínimo histórico, o crescimento econômico só vai vir com aumento dos investimentos e da produtividade.

E, para estimular os investimentos e a produtividade, temos de ter regras mais estáveis, melhora do ambiente de negócios, reformas microeconômicas e uma macroeconomia mais estável e previsível.

Em vários desses campos temos andado para trás, enquanto outros países emergentes - alguns da América Latina, como Peru e Colômbia - têm avançado cada vez mais.

Assim, a retração do investimento privado que se verifica atualmente no Brasil é apenas uma resposta ao ambiente econômico cada vez mais incerto propiciado pelo atual governo.

 

Análise publicada no jornal O Estado de S. Paulo em 28/06/2012.

 

 

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